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Xavier e a entrega total a Deus

Vista Geral de Manresa (Esp) – Basílica de Santa Maria

Francisco Xavier teve de resistir de forma áspera àqueles que insistiam em impedir seus votos de pobreza. Receoso de perder a confiança de Xavier, Miguel Navarro, seu companheiro de infância e folguedos em Navarra, conhecido da família, lançou-se a seus pés e banhado em lágrimas suplicou-lhe:

Não desonre sua ilustre família imitando D. Amador e D. João de Castro.

Xavier indignado respondeu-lhe:

Ide Miguel, eu sei que é a dedicação que tens por mim que faz você ser tão insistente e falar desse modo; tenho a liberdade de dispor de mim sem a necessidade de seu consentimento. Estimaria que esta seja a última vez que me persegue.

Alguns dias depois Francisco Xavier declara publicamente ser um dos discípulos de seu mestre Inácio de Loyola na vida espiritual e se prepara para um retiro sob seu comando; seguindo as instruções contidas nos Exercícios Espirituais que Inácio recebeu em Manresa (Espanha).

Entrando as férias no colégio, Xavier inicia seu retiro para praticar o isolamento e a penitência. Nos primeiros quatro dias ficou em jejum pleno. Para exemplificar sua determinação decidiu amarrar seus pés e suas mãos antes das orações, pedindo perdão a Deus e por tê-lo ofendido com o seu modo de viver. Apresentava-se assim para a oração como vítima a ser imolada. Enquanto Xavier se preparava para ser um homem de Cristo, Miguel Navarro entra em desespero e convencido de não ter mais argumentos para converter Xavier, imagina um meio de eliminar Inácio de Loyola (o mentor de sua conversão) contando ter o apoio da família Azpilcueta, um ledo engano. É o maligno na pessoa de Miguel Navarro articulando um meio de eliminar o responsável pela transformação de Xavier.

Tendo conhecimento que a rua Santo Hilário do colégio de Beauyais estava deserta e poderia lá estar Inácio que dividia o quarto com os três estudantes arregimentados por ele, tentou surpreende-lo. Apoiado pela escuridão da noite e utilizando uma escada de mão, acessa a janela do quarto trazendo consigo uma navalha catalã; suspende o caixilho da janela e, cautelosamente, prepara para entrar no quarto quando uma voz forte e vibrante vindo do espaço é ouvida:

– Onde vais tu, desgraçado? Que vais fazer?

Não havendo ninguém por perto, Miguel tomado de pavor se joga para dentro do quarto convicto de ter recebido uma mensagem do céu vinda de São Miguel seu patrono. Agitado, interrompe a oração de Inácio ajoelhado na beira da cama e, de joelhos, chorando muito, faz a confissão de seu crime, implorando o perdão e obtém-no.[1]

Terminado os trinta dias de retiro, Xavier retorna ao colégio, iniciando os estudos de teologia, e juntos com seus companheiros fizeram rápidos progressos no caminho da perfeição, tornando-se dessa maneira um gigante português, nascido no reino de Navarra.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho (Membro do Apostolado da Oração)

[1] Durignac, JMS. São Francisco Xavier o Apóstolo das Índias; pg.44 e 45. Livraria Apostolado da Imprensa. 5ª edição. Porto, 1959.

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