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Xavier e a conversão de Fernando Alvarez em Adém

Desde muito tempo Francisco Xavier batalhava para converter o verdugo Fernando Alvares trazendo-o para Cristo. Era um militar exemplar, mas rude com as pessoas, viciado no jogo e afastado de Deus. A oportunidade ocorreu quando o vice-rei desejando expulsar os turcos de Adém para aumentar a influência portuguesa no Mar Vermelho, preparou a esquadra ancorada em Baçaim comandada por seu filho Álvaro de Castro.

Tendo conhecimento que Fernando Alvarez embarcaria na nau Santa-fé, Xavier apressa-se entrar a bordo para evangelizá-lo. Conforme mencionado, ele era conhecido pela sua bravura e grandes feitos em combate. O capitão quando se deu conta do sacerdote a bordo foi, imediatamente, cumprimentá-lo e externar sua alegria pela segurança que teria na navegação.

Meu caro padre é uma alegria tê-lo a bordo. Porque não nos avisou antes.

– Eu também o ignorava a poucos instantes, comentou Xavier.

A conversa com o capitão fluiu e Fernando Alvarez veio se juntar aos dois. Como já mencionado ele era um homem rude, popularmente, chamaríamos de grosso, sem nenhuma educação, afastado de Deus, preparado apenas para matar em combate.  Xavier tentava domar a indiferença que tinha por ele mas a vontade de evangelizá-lo superava o desejo de repeli-lo. Sabendo como subjugá-lo Xavier procurou enfraquecer a sua defesa, enquanto a tripulação do barco comentava entre si:

– Sendo o Santo Padre um profeta como é que permite tamanha intimidade com aquele homem detestável?

Alvarez, já encantado por Xavier, comentava com o capitão nunca ter imaginado ser o padre Francisco Xavier tão amável.

É lamentável ser ele um padre criticou Alvarez.

Este comentário era fruto dos recursos que Xavier possuía para subjugar os espíritos e atrair os corações descrentes. Na manhã seguinte Xavier julgou ter chegado a hora; passou o braço sobre o pescoço do rude guerreiro e em voz baixa o arrastou para a ponte da nau.

– Senhor Fernando, sou curioso e só vós podeis dizer.

–  Falai santo padre.

– Tu confessaste antes de partir?

–  A muito tempo não me ocupo disso, meu padre.

– Não acredito! Corajoso como tu és, sempre o primeiro a se expor e ser morto quereis comparecer na presença de Deus com a consciência tão pesada?

– Meu caro padre, não sou digno; uma vez antes de partir para uma missão o vigário rejeitou-me sob pretexto de não estar preparado; acho que ele teve repugnância pela minha vida.

– Mas eu não tenho repugnância por ti, quero confessar-vos e não desejo que um turco vos mate e lance vossa alma ao inferno.

Fernando ficou em dúvida, mas relutante, prometeu confessar-se tão logo chegasse ao porto de Coulão.  Logo que lá chegaram desembarcaram e foram juntos para uma floresta próxima ao porto. Xavier impôs apenas a recitação de um Pai-Nosso e uma Ave Maria.  Fernando surpreso por tão pouco depois de ter ofendido tanto a Deus, ficou duvidoso do perdão e pediu mais, o que Xavier contestou:

– A misericórdia de Deus é infinita e nós a aplicaremos, eu espero.

Fernando disse que iria internar-se na floresta para orar. Xavier indignado e sentindo Alvarez claudicar, não acreditando no perdão, despiu-se até a cintura e iniciou o seu martírio com a disciplina[1]. Fernando ouviu os gritos e o barulho da chibata, correu em direção ao padre, arrancou o chicote dele e se auto flagelou.

– Meu padre fui eu que pequei, não derrame seu sangue abençoado. Eu preciso ser perdoado.

Francisco Xavier abraça-o muitas vezes e feliz, revela ter embarcado para salvar sua alma.  Depois, Xavier voltou para Goa e, a partir de então Fernando Alvarez buscou uma Ordem religiosa, onde viveu e morreu santamente.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho (Membro do Apostolado da Oração)

[1] Chicote de couro usado pelos  jesuítas para auto flagelação.

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