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Artigos e reflexões › 24/05/2013

Vitalidade da Comunhão

Parece divergente, no contexto da subjetividade exacerbada, falar-se e viver em comunhão. De fato, mesmo na convivência familiar há pessoas que vivem juntas fisicamente mas separadas na prática. Há até o olhar de todos para o mesmo objetivo, por exemplo, a televisão, mas, não há interação de uns para com os outros. Isso pode acontecer na convivência religiosa, profissional e em outras.

É evidente a busca de conforto e bem-estar na vida. Isso, regulado com valores do amor, da fraternidade, da ética, da justiça e do dever é legítimo. Quando, no entanto, se descuram esses, há o autoensimesmamento com a prática do egocentrismo.

O amor divino é como o oceano infindável de sustentação do amor humano. As pessoas de Deus estão em comunhão, a ponto de uma não agir uma sem a outra e viverem num relacionamento entre si, produzindo vitalidade para fora de si, na sua interação com toda a obra externa originada com seu ato de amor. Toda a criação é obra do amor das três pessoas divinas. Nós, humanos, frutos desse amor, somente nos realizamos plenamente quando também focalizamos o amor divino no nosso relacionamento de humanos. Caso contrário, fechamo-nos em nós mesmos e não somos capazes de encontrar a razão de nossa existência.

Nossa autossuficiência, mesmo dentro da racionalidade e do desenvolvimento da ciência, não nos dá a força adequada para superarmos nossos limites. Quando unimos nossas forças humanas, com todo o seu desenvolvimento e com o amor advindo de Deus, encontramos a superação de nossas fragilidades. Isso torna frutuoso nosso esforço de amor, a ponto de percebermos que o desafio da vida humana, mesmo com a morte física, tem superação. Para tanto, é preciso pautar a caminhada terrena com o seguimento ao Filho.

Na prática da caminhada vamos aprendendo com o Mestre a darmos de nós, na vida fraterna, para criarmos condição de verdadeira comunhão de esforços para a promoção do bem comum. A vida em comunidade familiar, religiosa e profissional nos faz preocupar uns com os outros. Isso ser torna uma verdadeira preocupação com a inclusão justa de todos na vida autenticamente humana. Formar ou educar a pessoa humana, desde a tenra idade, para a cidadania, é fundamental para fazermos a caminhada terrestre cheia de realização para cada um. Teremos pessoas mais solidárias, formadas com a consciência de justiça, sabendo escolher as lideranças, especialmente políticas para o ideal de servir, com caráter e espírito realmente fraterno.

Como imagem e semelhança de Deus o ser humano se preocupará mais no cuidado para com a vida digna para todos e com o planeta Terra. Como é bom viver para dar vida, aproveitando o dom da vida outorgada pelas pessoas divinas a cada um! Assim se vive com a sabedoria divina: “Eu estava a seu lado como mestre de obras; eu era seu encanto, dia após dia… alegrando-me em estar com os filhos dos homens” (Provérbios 8, 30.31).

Por Dom José Alberto Moura – Arcebispo de Montes Claros (MG)

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