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Respeito e Humildade

Francisco Xavier sabia impor respeito humilhando-se que, segundo Daurignac, era o segredo dos santos. Na verdade, Deus permitiu que Xavier possuísse este dom em maior grau que os demais santos face as inúmeras conquistas que a ele estava destinado. Quando embarcou para a Ásia em 7 de abril de 1541 não aceitou as provisões a ele destinada pelo rei.

–  Sou infinitamente grato às bondades de Sua Alteza mas eu de nada careço.

Conde de Castanheira insatisfeito insistiu:  

–  As ordens do rei são formais e ele insistiu que nada lhe faltasse a bordo.

– Nada falta Senhor quando não se carece de nada; entretanto devo muito ao rei mas devo muito mais à Providência Divina; por certo ele não vai querer que eu me desanime e duvide dela neste momento.

O Conde ficou perturbado. Ele nada mais era do que D. Antônio de Ataíde, o intendente da armada real.

– Permita que vos diga que devo obedecer ao rei e alertá-lo que não se deve provocar a Providência Divina embarcando para uma tão longa viagem sem a menor provisão pessoal. Pelo rei, peça alguma coisa que lhe será útil.

– Ora pois, Senhor, vou apresentar uma relação de livros religiosos que será útil distribuir entre os portugueses lá e um tecido de fazenda grossa porque o frio é perigoso ao dobrar o cabo da Boa Esperança.

O intendente da armada insistiu novamente:

Vós não podereis servir-vos a vós mesmo, aceitareis pelo menos um criado que se vos der.

– D. Antônio de Ataíde, enquanto tiver duas mãos espero que Deus me fará a graça de permitir que me sirva a mim mesmo.

  1. Antônio fez ver que a dignidade do cargo exige já que ele fora designado núncio do Papa e não seria conveniente vê-lo lavar sua roupa a bordo e preparar a sua comida.

– Peço perdão Senhor, por não poder ceder vossas instâncias; tenho a intenção de me servir e servir aos outros e fazê-lo sem desonrar o meu caráter. Como não pratico o mal, não temo nem escandalizar, nem menosprezar e rebaixar a autoridade de que a Santa Sé se dignou revestir-me. 

Dom Antônio não insistiu, mas considerando o tom enérgico de Francisco Xavier conservando a sua doçura, mantendo tão grande dignidade e nobreza cuja têmpera nunca rebaixaria em nada a autoridade que lhe estava confiada. Mas ainda não era tudo. O rei desejando vê-lo antes da partida, convocou-o ao palácio e lhe entregou, pessoalmente, quatro breves do Pontífice. Eram elas:

  1. A nomeação como Núncio Apostólico;
  2. Determinação real de amplos poderes para estabelecer e manter a fé em todo o Oriente;
  3. Recomendação ao rei David imperador da Etiópia dos poderes a ele conferidos;
  4. Restaurar como ordem a todos os príncipes soberanos das ilhas e da terra firme desde o Cabo da Boa Esperança até além do Ganges.

Em tempo, mantendo sua postura e dignidade, ele nunca usou esses dignos documentos para facilitar a sua missão.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho (Membro do Apostolado da Oração)

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