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Reparação de um fato histórico para os devotos

Com humildade e zelo pela verdade e um tanto constrangido, desejo enfatizar que na pesquisa de JMS Daurignac, tido como um dos grandes biógrafos de São Francisco Xavier e realmente o é, consta que na viagem da comitiva de Roma para Lisboa, levando Xavier e chefiada pelo embaixador de Portugal junto à Roma (D. Pedro de Mascarenhas), ele decidiu desviar 25 quilômetros do caminho para que o jesuíta pudesse visitar seus parentes perto de Pamplona pela última vez. Francisco Xavier agradeceu e não cedeu, citando Lucas 14,33 “Assim, pois, qualquer um de vós que não renuncia a tudo o que possui não pode ser meu discípulo”.

Reproduzimos a seguir o diálogo entre o embaixador e Xavier:

         – Estamos em Pamplona e aqui esperarei, disse o embaixador.

         – Esperar-me senhor?

         – Pois vós não ides ao castelo visitar vossa família? E acrescentou: Pois bem vós não vedes vossa família a muito tempo e vossa boa mãe já está com idade avançada.

         – Conheço tudo isso senhor, mas não é para Xavier que Deus me chama e sim para as Índias.

         – Meu caro Padre, acaso esqueceis que ides deixar a Europa para sempre? Continuando …É esta uma abnegação que eu admiro verdadeiramente, mas permite-me fazer-vos observar que a senhora de Jasso deve esperar-vos, e que é impor um sacrifício muito grande no coração de uma mãe.  É por ela, é por D. Maria que vos peço. Dai esta consolação à vossa família!

         – A esta consolação senhor, se ajuntarão a amargura da separação e dos adeuses dilacerantes. È melhor que eu evite estes desgostos e que nos tornemos a ver senão lá no Céu. Eu dei tudo a Deus, não me é permitido dispor de mim para os outros, não me julgo com esse direito.

Pedro Mascarenhas não insistiu e renovou as provisões, partindo para Lisboa. Poucas horas depois chegou o enviado do castelo de Xavier…Era já muito tarde.

O relato do empregado do castelo continua:

         – Eu, por mim, reconheci-o perfeitamente, acrescentava com orgulho o estalajadeiro de Pamplona, que sentia duplicar a sua importância ao pensar ao pensar que não somente um embaixador se hospedara em sua casa, mas ainda, porque veria bem perto o filho da castelã de Xavier, ao passo que ela própria estaria privada daquela felicidade.

Era necessário dar aquela notícia a D. Maria. Foi um golpe dirigido ao coração de uma mãe.

Justificativa:

A mãe de Francisco Xavier faleceu em 29/07/1529 quando Xavier ainda estudava em Paris e ninguém informou ao filho o seu falecimento. Os detalhes referentes às viagens, quase diárias até Pamplona, para confirmar a chegada da comitiva do embaixador a pedido de sua mãe não condiz com a verdade, pois Xavier saiu de Roma em 15/03/1540, chegando a Lisboa em fins de junho de 1540.  Sua já tinha falecido onze anos antes, e deve ter levando consigo a saudade do filho caçula antes de morrer.

Para o biógrafo, assim como para o historiador, paixão, simpatia ou desgosto são sentimentos levados a um alto grau de intensidade durante a pesquisa e não deve ser vedado a quem pratica o exercício de História, porque são atributos humanos e franqueados aqueles de criam. Assim, este deslize informativo não deve ser levado em conta.

Mas ninguém poderá considerar Francisco Xavier um ingrato; ele falando ao embaixador, disse: …Eu dei tudo a Deus, não me é permitido dispor de mim para os outros.  Xavier escreveu para sua irmã Ana em 17 de abril e 1552 nos momentos finais de sua vida.  Nesta carta[1] que não foi entregue, abriu a sua intimidade para a irmã e relatou:  … apesar de ter deixado o castelo com apenas 19 anos para estudar em Paris e percorrido tantas terras, o nome de nossa família continua intacto no meu coração.\

Esta carta foi encontrada por acaso em 3 de dezembro de 2002, no fundo de uma das botas trazida de Pequim por um estudante português que deu de presente o par de botas[2] ao seu professor Vaz Almada em Coimbra.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho (Membro do Apostolado da Oração)

[1] São Francisco Xavier. Sua missão evangélica na Asia no século XVI, pg. 205. Carta de Xavier para sua irmã Ana. Daugraf Ed, Rio de Janeiro, 2009.

[2] O que restou da bota contendo a carta encontra-se no Museu de Coimbra.

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