Rua: São Francisco Xavier, 75 - Tijuca - Rio de Janeiro, RJ
21 2234-2094 ou 21 2234-2095 / paroquiasfxavier@yahoo.com.br

Quem despreza a Mãe, não ama o Filho

José nascido em 18/11/1885 na vila de Gymnich; era filho de Catrina Kentenich e fruto de um relacionamento fora do casamento. Criado por sua mãe muito pobre, conviveu com sua avó muito idosa e debilitada até os oito anos de idade. A partir de então foi entregue ao Orfanato São Vicente em Oberhausen, ocasião em que sua mãe pendurou em seu pescoço uma medalha de Nossa Senhora atada a um crucifixo, pedindo que a mãe de Jesus cuidasse dele. Foram anos difíceis para José com saudades da avó e de sua mãe; tentou fugir duas vezes além de frequentes travessuras. Amoldando-se ao seu dia a dia, conseguiu boas notas e teve uma vida escolar marcada pela consagração à Mãe de Deus.

Em 1897 José manifestou pela primeira vez seu desejo de se tornar sacerdote e dois anos depois foi para o seminário menor dos padres palotinos em Ehrenbreitstein.  Em razão de seu caráter, passou por grandes dúvidas, mas sua devoção mariana superou a crise. Os estudos representavam 10 horas diárias de aulas.  Foi admitido como sacerdote em Limburg der Lahn em 1910 e sonhava ser missionário e converter os pagãos na África,  projeto desfeito por ter ficado turberculoso. Após tratamento de vários meses, surgiu uma rebelião no seminário de Vallendar-Schoenstatt e ele foi convidado para assumir o cargo de diretor espiritual, lá encontrando sua vocação como educador com a adesão de todos os seminaristas.

Iluminado, padre José Kentenich convocou vinte seminaristas para acompanhá-lo e dirigiram-se todos para uma igrejinha abandonada e utilizada como depósito de ferramentas. Em mutirão, esvaziaram e limparam a pequena capela. O professor profundamente convencido do amor de Maria por todos os homens, orou e nela selou um pacto com a Nossa Senhora que chamariam mais tarde de Aliança de Amor.  Este local tornou-se um lugar privilegiado de graças, atraindo multidões.

Os jovens seminaristas que o acompanhavam ficaram embevecidos pelas súplicas de padre José e testemunharam com espírito de sacrifício os duros anos da Primeira Guerra Mundial, dentre eles, o companheiro Engling defensor da paz entre as nações e que ofereceu sua vida à Mãe Três Vezes Admirável para o crescimento da Obra de Schoenstatt.

Durante a guerra ele foi morto por uma granada no norte da França em 4 de outubro de 1918 e padre José o indicou como modelo e cuja beatificação está em andamento.

Em abril de 1915 padre José Kentenich recebeu a reprodução de uma gravura de Nossa Senhora inserida em um portal de madeira, com o Menino Jesus nos braços. Enternecido com a gravura, decidiu entronizá-la na capelinha.  Reverenciada como Mater Ter Admirabilis ou Mãe Três Vezes Admirável. Emitiu um folhetim do Movimento que passou a ser enviado para os jovens que lutavam na frente de batalha.

Após a Primeira Guerra Mundial o Movimento se expandiu entre os jovens, mulheres e peregrinos tendo grande adesão de sacerdotes. Padre José decidiu percorrer toda a Alemanha, Áustria, Tchecoslováquia e Suíça. Naquele tempo, ele já via com preocupação o crescimento do nazismo que invadia a Europa como um câncer; sentiu o início da perseguição das autoridades por não esconder sua opinião e dizia  a todos sem receio:

Para nós é a cruz de Cristo que devemos seguir. Quanto a suástica não vejo nenhum lugar por onde aí poderia passar a água do batismo!

A Gestapo convocou padre José e o aprisionou durante um mês num quarto sem ventilação. Enquanto isso frutificava a devoção nos países visitados da Europa. Depois, foi enviado para a prisão de Koblenz, antigo convento carmelita onde passou cinco meses. Dalí foi transferido para o campo de concentração de Dachau onde estavam detidos 12.000 presos, entre eles, 2.600 sacerdotes.  Nesse campo de extermínio, os alemães agruparam os sacerdotes em um bloco, tendo o direito de celebrar uma missa diariamente por cada um deles. Ao padre Kentenich correspondeu no dia 19 de março de 1943.  Contando com a proteção do “kapo” Guttmann (prisioneiro chefe do bloco), um comunista muito violento mas fascinado pelo padre, desde o momento em que viu o sacerdote passar fome e compartilhar, diariamente, sua quota de pão e sopa rala com um preso em necessidade e decidiu salvar a vida do fundador de Schoenstatt. Assim ocorreu quando um médico da SS fez uma visita e o kapo escondeu o padre para não ir à câmara de gás.

Exterminados os prisioneiros, o padre foi destacado para o grupo de desinfecção, podendo circular dentro do campo. Em 16 de julho de 1942 foram criados dois novos ramos de Schoenstatt em Dachau, liderados por dois prisioneiros leigos: Instituto Secular das Famílias e o Instituto dos Irmãos de Maria.  Transferido várias vezes para outros blocos, em razão da perseguição, padre Kentenich continuou o seu apostolado sem preocupar-se com o endurecimento do regime. Nos últimos três meses de 1944 a violência nazista e as epidemias causaram a morte de dez mil prisioneiros em Dachau. Nesse ambiente infernal o padre José junto com seus discípulos deu início à obra internacional da fundação que se estendeu ao mundo inteiro.

Em 23 de junho de 1945, Dom Gabriel Piquet (bispo francês prisioneiro no campo) ordenou em segredo um seminarista de Schoenstatt (beato Carlos Leisner). Doente de turbeculose ele só conseguiu celebrar uma missa e morreu a seguir.  Foi beatificado pelo papa João Paulo II em 23 de junho de 1996.

Em março e 1947 o Papa Pio XII recebeu o padre Kentenich e agradeceu a publicação da Constituição Apostólica Provida Mater Ecclesia, criando os Institutos Seculares para em seguir, dezenove meses depois elevar as Irmãs de Maria de Schoenstatt em Instituto Secular. É quando o padre Kentenich decidiu viajar para a África, Argentina, Brasil, Chile, Estados Unidos e Uruguai e implantar a sua obra com a construção de réplicas do Santuário de Schoenstatt e casas de retiro.

Como em toda a obra que gera sucesso o ser humano contrapõe o ciúme, gerando críticas sobre o papel do fundador. O bispo de Tréveris cuja diocese está em Schoenstatt ordenou uma visita canônica cujo visitador elogiou o trabalho pastoral. Entretanto, faz algumas críticas menores, obrigando padre Kentenich a responder. Ele fez um em longo relato, cuja “obra” é apresentada como uma cura para a doença do pensamento ocidental que gera o idealismo (carta de 4 de novembro e 2012). Nela, o fundador replica que a “obra” não é uma teoria abstrata, mas a aplicação prática da doutrina cristã. O visitador apostólico ficou irritado e enviou o caso para o Santo Ofício em Roma. Em 1951 o jesuíta holandês padre Tromp foi nomeado inspetor apostólico com amplos poderes e o considerou um agitador e decidiu removê-lo de todas as funções na direção da “obra”.  Ele foi transferido para o convento dos Palotinos de Milwaukee nos Estados Unidos e ficou impedido de receber correspondência com os responsáveis pela sua “obra”.  Seu exílio durou quatorze anos e deixou um exército de admiradores por lá. Dois anos depois, pairou no ar a grande dúvida:

– Schoenstatt deveria ser dissolvida? Deveria ser integrada à Congregação dos Palotinos? Deveria tornar-se autônoma?

O Papa João XXIII leva a questão para a Congregação dos Religiosos. Em dezembro de 1963, o Papa Paulo VI nomeia o arcebispo de Munster: D. Hoffner como visitador apostólico; ele apresenta um relatório favorável que resulta na separação da Schoenstatt dos Palotinos. Assim sendo, 42 meses depois, padre Kentenich é reintegrado na direção do movimento. No Natal de 1965, padre Kentenich é recebido com alegria em Schoenstatt e depara com o resultado de seu trabalho compreendendo os institutos: Padres de Schoenstatt, Sacerdotes Diocesanos, Irmãos de Maria, Irmãs de Maria, as leigas consagradas Senhoras de Schoenstatt, além das Uniões e Ligas de sacerdotes. Em seu último ano de vida (1968) ele citou:

A tarefa de Maria é de levar Cristo ao mundo e o mundo a Cristo. Estou convencido de que as grandes crises do tempo presente não podem ser superadas sem Maria.

Morreu de um ataque cardíaco em 15 de setembro de 1968 após celebrar a Missa na Igreja da Adoração em Schoenstatt inaugurada pouco antes por ele mesmo, deixando centenas de capelinhas espalhadas pelo mundo cristão.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho  (Membro do Apostolado da Oração)

Print This Post