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Notícias Gerais › 17/05/2013

Papa à Caritas Internacional: “A Caritas é o amor da Mãe Igreja que acaricia e ama”

O Papa Francisco recebeu em audiência na manhã de ontem, quinta-feira, no Vaticano, a Comissão Executiva da Caritas Internacional que realiza nesses dias seu encontro anual, em Roma, guiada pelo presidente desse organismo caritativo, Cardeal Oscar Andrés Rodriguez Maradiaga.

O Papa destacou o trabalho desempenhado pela Caritas Internacional: “Vocês são uma parte essencial da Igreja, ou melhor, a instituição de amor da Igreja, visto que uma Igreja sem caridade não existe”, disse o pontífice.

O Santo Padre expressou sua profunda gratidão, sublinhando que o trabalho da Caritas tem uma dupla dimensão: de ação social no sentido mais amplo do termo e uma dimensão mística, ou seja, situada no coração da Igreja:

“A Caritas é a carícia da Igreja ao seu povo, o carinho da Mãe Igreja aos seus filhos, a ternura e a proximidade. A busca da verdade e o estudo da verdade católica são outras dimensões importantes da Igreja, e isso é feito pelos teólogos. Depois se transforma em catequese e exegese. A Caritas é o amor da Mãe Igreja, que se aproxima, acaricia e ama.”

A seguir, o Papa abriu espaço para perguntas feitas pelos membros da comissão e uma de suas respostas foi relativa à crise econômica que envolve o Planeta, muitas vezes de maneira difícil:

“Não é apenas uma crise econômica, é um aspecto. Não é somente uma crise cultural, é outro aspecto, não é apenas uma crise de fé. É uma crise em que o ser humano é aquele que sofre as conseqüências desta instabilidade. Hoje, o homem está em perigo, a pessoa humana. Está em perigo a carne de Cristo. Atenção, hem! Para nós a pessoa como um todo, e mais ainda se for marginalizada e doente, é a carne de Cristo. O trabalho da Caritas é sobretudo perceber isso.”

O Santo Padre frisou que a nossa civilização está confusa e ao invés de fazer progredir a Criação para que o ser humano seja mais feliz e a melhor imagem de Deus, joga no lixo o que não serve como as crianças, os idosos e os marginalizados, praticando uma eutanásia escondida. “Esta é a crise que estamos vivendo”, sublinhou.

Tomando como exemplo situações de pobreza e guerra, o Papa reiterou que existem momentos em que “simplesmente é preciso neutralizar o mal”. “Existe fome, é preciso dar de comer, existem pessoas feridas, devem ser curadas. Curar é o carinho da Mãe Igreja”, mas para fazer isso é necessário muito dinheiro e ele citou São João Crisóstomo onde ele fala que a Igreja poderia vender os seus bens para alimentar os pobres.

“São João Crisóstomo disse claramente: Você se preocupa em adornar a Igreja e não o corpo de Cristo que tem fome. Para mim, a expressão mais bonita do carinho diante de uma necessidade é a do Bom Samaritano”, destacou o Papa Francisco.

Outra resposta do Papa às perguntas dos membros da Comissão da Caritas Internacional foi sobre a promoção do Evangelho.

“Penso em Dom Bosco que tinha encontrado em sua paróquia, em sua terra, num momento de crise, de pobreza extrema, muitas crianças que viviam na rua, famintas, aprendendo vícios e que terminavam na delinqüência. Ele viu tudo isso e disse: Os meninos, não! E começou com a idéia da escola de artes e profissões, e assim por diante. A visão da promoção dá um instrumento para garantir a sobrevivência”, disse ainda o Santo Padre.

Sobre a espiritualidade da Caritas Internacional, o Papa frisou que “o seu fundamento é doar-se, sair de si e estar a serviço contínuo das pessoas que vivem em situações extremas”. E desse ponto nasce uma dupla função: “De um lado, ir às periferias existenciais, ajudar e curar, e de outro, trazer para a Igreja este sentimento de ternura, que é mais do que um sentimento, é um valor que a Igreja Mãe não pode perder”.

“A espiritualidade da Caritas é a espiritualidade da ternura e nós excluímos da Igreja a categoria de ternura. Às vezes, a nossa seriedade, entre aspas, no ministério pastoral, nos leva a perder esta categoria, que é a maternidade da Igreja! A Igreja é mãe, fundamentalmente mãe. Esta característica de ternura é para mim o núcleo ao qual a espiritualidade da Caritas deve se referir: resgatar a ternura da Igreja.”

Segundo o Papa, “a Igreja entrou nos desvios quando se esqueceu do carinho e da ternura”.

Enfim, o Santo Padre falou dos refugiados e os definiu com preocupação “um drama”. “Precisamos acompanhá-los”, exortou, recordando os milhões de deslocados que da Síria foram para o Líbano, como aconteceu com aqueles que do Irã foram para o Líbano passando pela Síria.

O Papa Francisco recordou também as condições das pessoas exploradas que trabalham como escravas. “Sobre tudo isso, tenha a grande presença de ternura da Igreja”, concluiu o pontífice. (MJ)

Por Rádio Vaticano

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