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O Frei Henrique Soares de Coimbra e a frota de Cabral

Portugal tão ligado à igreja de Cristo, somente Ele para sustentar a unidade lusa tão perseguida pelo norte e pela Espanha, aquela que insistia em afirmar de lá nunca vieram bons ventos, nem bons casamentos ( veja o que aconteceu com D. João VI ). Portugal pequenino e católico que desde a Idade Média olhava o oceano como a única forma de superar a pobreza de uma nação pequena que queria ser grande e elevar a gloria da Igreja de Cristo.

O rei D. João II, afável e tolerante,  atendeu a sugestão do rabino sefardita português Isaac Aboab[1] e aceitou as 20 famílias judias que tinham  condições de engrandecer o reino bem como qualquer  judeu perseguido que desejasse fugir da Espanha. Dentre eles estava Abraão Zacuto,  o grande astrônomo e seu Almanaque Perpétuo para ajudar no programa de navegação dos portugueses. Da corte as instruções eram fazer amizade com os povos   estabelecer com eles relações de comércio e, se se for o caso, convertê-los à fé cristã.  Para tanto, os judeus língua[2] eram indispensáveis. A aceitação do rei em acolhê-los, oriundos da diáspora gerada  no reino vizinho, foi muito bem aproveitada por Portugal, a ponto dos espanhóis chamarem os portugueses de judeus, face a elevada concentração deles na população da nação.

No mar atravessando tempestades  seguiam adiante onde vamos encontrar Frei Henrique e seu grupo de religiosos franciscanos no castelo da  popa da nau,  com seu livro de orações todas as vezes que ondas enormes se levantavam e o mar bramia. Muita luta aconteceu para sobrelevar as intempéries e deslizar no mar aberto. Ser escolhido para a viagem era uma honra e responsabilidade após fazer o juramento. Afinal, iriam lutar  pelo país pequenino que precisava crescer. Enquanto todos batalhavam por conquistas e comércio, frei e seus companheiros sonhavam com outras conquistas… para Cristo. O cabo do extremo sul ainda não tinha sido domado e os sonhadores já chamavam de Cabo da Boa Esperança.  A junção dos dois oceanos provocava gigantescas ondas em meio de chuva forte e ventos que faziam as vagas explodirem contra o casco. Nesse local   tido como maldito,  os principais navegadores portugueses foram comidos pelo oceano. Das treze  embarcações que deixaram Lisboa, uma delas retornou comandada por Gaspar de Lemos para anunciar ao rei a descoberta do novo mundo, outras foram tragadas pelo oceano, fazendo retornar apenas quatro barcos. E lançando Cabral no ostracismo para não mais navegar.

No meio do caminho para as Índias a frota de Cabral abordou,  por  acaso, o litoral do Brasil, onde, frei Henrique oficializou a primeira  missa na colônia recém descoberta. Ele era um religioso da Ordem religiosa mendicante dos franciscanos e foi confessor do rei D. João II; chefiava um grupo de oito religiosos e muito se esperava dele na expedição pois foi designado para fundar doze mosteiros ao longo do trajeto para as Índias a partir do Cabo da Boa Esperança até Calicute.

Não pode cumprir sua missão pois na batalha em Calicute sofreu um naufrágio e se salvou a nado; seis do oito religiosos que o acompanhavam foram mortos pelos mouros e ele regressou a Lisboa na nau de Cabral. Seu  prestígio era tal que a ele foi outorgado,  posteriormente, o cargo de bispo de Ceuta pelo Papa em 30 de janeiro de 1505 e integrou diversas embaixadas de Portugal para tratar de questões diplomáticas. Foi escolhido pelo rei por seu trabalho como confessor e diretor espiritual do Convento das Clarissas, fundado por Justa Rodrigues,  que foi a ama de leite do soberano[3],  a mesma ordem religiosa  onde no século XVI, a irmã mais velha de Xavier,  Madalena ,  foi abadessa em Gandia no reino de Navarra.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho (Membro do Apostolado da Oração)

[1] Primeiro religioso judeu a chegar no Brasil e se estabeleceu no Recife em 1646.

[2] Nome dado aqueles que falavam dois ou mais idiomas.

[3] F. Felix Lopes. O Bispo, seperata da revista studia,no. 37, dezembro 1973, São Paulo.

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