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Nascidos para servir

anchietaOs tamoios habitavam parte do litoral de São Paulo e estendiam seus domínios até o Rio de Janeiro.  Eles eram aliados dos franceses e estavam sempre em guerra com os portugueses e alguns poucos silvícolas aculturados.  Tentando contornar a situação o governador decidiu enviar os dois jesuítas mais experientes para negociar com os tamoios; foi o suficiente para que um nativo arregimentasse trinta índios em oito canoas para caçar e matar Manoel da Nóbrega e José de Anchieta. Os dois fugiram apoiados por um jovem índio que tinha sido tratado pelos jesuítas e atravessaram um rio com água pela cintura. Foi uma fuga desesperada principalmente para Anchieta que teve de carregar Nóbrega nas costas e com as pernas cheias de varizes e pústulas e se esconderam numa gruta no meio do mato.  Os dois jesuítas aguardaram o retorno do jovem índio que voltou para acalmar seu pai na taba que os havia acolhido.  Foi uma alegria quando foram informados que não seriam mais liquidados. Na aldeia os tamoios passaram a oferecer como recompensa suas mulheres e filhas todos os dias para os dois. Ante a recusa se ofendiam e perguntavam se eram feias. Nóbrega explicava que não era o caso. Indagaram:

Vocês não tem desejo?

-Quando a vontade vem, nós usamos isso para auto flagelação!

E mostravam o chicote que chamavam de disciplina. Passaram cinco meses com os tamoios e como as ofertas continuaram, concluíram que os dois eram mesmo santos. Já tendo adquirido a confiança dos índios, residiram com eles na tribo e enfrentaram momentos de aflição já que alguns guerreiros destemidos ameaçavam os jesuítas, dado que os portugueses utilizavam métodos agressivos com os tamoios, tentando escravizá-los.

Finalmente, Nóbrega decidiu voltar para São Vicente onde apresentaria as condições impostas pelos tamoios para estabelecer a paz e, como gesto de boa vontade, deixou Anchieta na tribo.  Antes de chegar a São Vicente correu o rumor que Anchieta tinha sido morto.  O desespero tomou conta da comitiva, mas era boato; ele estava sendo bem tratado, inclusive passava parte de seu tempo na praia, riscando as areias de Ubatuba  (chamada então de Iperoig) com um graveto. Estava escrevendo um poema, mais tarde conhecido como De Compassione et Planctu Virginis in Morte Filii ou Compaixão da Virgem na Morte do Filho.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho (Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão e Membro do Apostolado da Oração).

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