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Artigos e reflexões › 20/03/2013

Maturidade

Durante muitos séculos da História da Igreja, sobretudo por ocasião dos Conclaves para eleger novo Pontífice, as interferências políticas dos governos foram brutais. Reis, Imperadores, Ditadores e Presidentes procuravam influenciar diretamente nas eleições do Papa. “Diga aos Cardeais que o meu candidato é fulano”, ou “informe os eleitores que não aceitarei como Papa beltrano”, ou ainda “todos saibam que a eleição de sicrano provocará rompimento com a Santa Sé”… Com o correr dos séculos a Igreja aprendeu a se livrar de tais interferências. Mas nos tempos modernos surgiu um novo modelo de impor candidatos: é a pressão midiática, as pesquisas de opinião, as casas de apostas, as declarações de “vaticanistas”. A intenção de tais manipulações – completamente irreais – é fazer a cabeça dos Cardeais, e assim colocar no poder as pessoas de seus interesses, que sigam as linhas de atuação prescritas pelos autores.

A eleição do Papa Francisco veio demonstrar a liberdade de espírito do colégio cardinalício. Votaram conforme a sua consciência. Isso causa em todos os católicos uma tranquilidade e segurança quanto à lisura da escolha. O caso atual (sem pôr em dúvida os últimos 10 Papas), comprova que a preocupação não é a política ou outros interesses menores. A preocupação é bíblica. “É preciso que um deles se junte a nós para testemunhar a ressurreição” ( At 1, 22). Em outras palavras, o Papa deve ser alguém que “viu o Cristo”, e dele dê testemunho a partir de sua experiência de vida. Pelas curtas apresentações até agora acontecidas, se percebeu que o Papa Francisco é um homem que tem profundo trato com o “Mestre e Senhor”. É um homem de fé e de oração simples, e até popular. Os “hermanos” vão permitir que, numa espécie de fogo amigo, repita o bom humor da minha roda de amigos: Enfim um argentino humilde. Ou ainda: É a primeira vez que se vê brasileiros trabalhando em favor de um argentino. A escolha foi feliz porque ele é uma testemunha autêntica de Jesus. Embora a idade não permita atrasos, pela graça do Espírito Santo ele produzirá frutos em honra do Pai. Pedimos ao Senhor que o abençoe, e ao povo que o acolha como legítimo sucessor de Pedro.

Por Dom Aloísio Roque Oppermann – Arcebispo de Uberaba (MG)

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