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Destaques, Reflexão do Dia › 30/12/2020

Maria, Mãe de Deus

A contemplação do mistério do nascimento de Jesus tem levado o povo cristão não só a dirigir-se à Virgem Maria como à Mãe de Jesus, mas também a reconhecê-la como Mãe de Deus. Pois, desde a primeira comunidade cristã, já crescia entre os discípulos a consciência de que Jesus é o Filho de Deus, resultando, que Maria é a Theotokos, a Mãe de Deus.

Do Século III, temos um antigo testemunho dos cristãos do Egito ao se dirigirem a Maria com a oração: “Sob a vossa proteção procuramos refúgio, santa Mãe de Deus: não desprezeis as súplicas de nós, que estamos na prova, e livrai-nos de todo o perigo, ó Virgem gloriosa e bendita” (Liturgia das Horas).

No Século IV, o termo Theotokos é já de uso frequente no Oriente e no Ocidente.

No Século V, Nestório (arcebispo de Constantinopla), pôs em dúvida a legitimidade do título Mãe de Deus, pois dizia que Maria era apenas Mãe do homem Jesus, ou seja: Mãe de Cristo. Pois, não admitia a unidade da pessoa, ou seja, as naturezas divina e humana, presentes em Jesus. O Concílio de Éfeso, no ano de 431, condena as teses de Nestório, afirmando à subsistência da natureza divina e da natureza humana na única pessoa do Filho, e proclamou Maria Mãe de Deus.

Theotokos significa: aquela que gerou Deus e suscita a questão: como é possível que uma criatura humana gere Deus? A resposta de fé da Igreja é clara: a maternidade divina de Maria refere-se só à geração humana e não a sua geração divina, gerada por Deus Pai, que lhe é consubstancial. Então, a Igreja proclama Maria Mãe de Deus, será um afirmar que Ela é Mãe do Verbo encarnado, que é Deus.

Na Theotokos a Igreja reconhece a garantia da realidade da Encarnação. Afirmava Santo Agostinho “Se a Mãe fosse fictícia seria fictícia também a carne… fictícias seriam as cicatrizes da ressurreição” (Tract. In Ev. Ioannis, 8,6-7).

A expressão Mãe de Deus remete ao Verbo de Deus que, na Encarnação, assumiu a humildade da condição humana, para elevar o homem à filiação divina. Esse título, proclama também a nobreza da mulher e a sua altíssima vocação. Pois, Maria, pessoa livre e responsável realizou a Encarnação de seu Filho, só após o seu consentimento.

Seguindo o exemplo dos antigos cristãos do Egito, rogamos à Mãe, para obter do divino Filho as graças da libertação dos perigos e da salvação eterna. Amém!

                                                                                                                Referência bibliográfica: 58 Catequeses do Papa sobre Nossa Senhora, São João Paulo II. Ed. Cléofas. 8ª edição,2017

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