Rua: São Francisco Xavier, 75 - Tijuca - Rio de Janeiro, RJ
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Parte da história da nossa Paróquia resgatada por um blog

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A Igreja de São Francisco Xavier do Engenho Velho teve sua origem numa pequena Ermida, dedicada ao jesuíta que ficou conhecido como Apóstolo da Índia, falecido em 1552. A Ermida foi construída por volta de 1572 próxima do rio dos Trapicheiros, em terras pertencentes à Companhia de Jesus, tendo sido erguida com a participação de José de Anchieta e pode ser considerada o berço da Tijuca. Ainda hoje se lê em sua fachada as palavras do Padre Anchieta: “Nesta Igreja ensinamos a amar a Deus, a defender a família e a trabalhar pelo Brasil”.

Após a canonização de São Francisco Xavier (1622) foi fundada a Igreja, por iniciativa do Padre André Manoel. Extinta a Companhia de Jesus no Brasil, a Igreja passou a pertencer ao Curato de São Francisco Xavier, pela Provisão Imperial de 11 de abril de 1761. O Curato foi elevado a Paróquia Encomendada em 1762. Em 2 de dezembro de 1795 a Matriz de São Francisco Xavier do Engenho Velho foi elevada à condição de Paróquia Perpétua e teve como 1° Vigário Colado o Padre André de Melo Botelho, que permaneceu no cargo até 1820. A Igreja tornou-se com o tempo um centro religioso e social do Engenho Velho, e em torno dela se desenvolveu o Bairro da Tijuca.

Em 1805, estando a Igreja em ruína, foi iniciada a construção de um novo templo, que ficou pronto em 1815 e dele ainda restam a fachada e as torres decoradas com azulejos, pois o restante já passou por reconstruções posteriores.

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A Igreja teve muitos ilustres frequentadores, incluindo a Família Imperial, sendo que a Imperatriz D. Teresa Cristina foi a 1ª Provedora da devoção das Sete Dores da Santíssima Virgem, que foi por ela fundada. Outro frequentador ilustre foi o Duque de Caxias, fiel paroquiano, que residia num palacete na Rua do Andaraí Pequeno, atual Rua Conde de Bonfim, não muito longe da igreja, e que em 1869 muito ajudou em uma das reformas por que passou a Igreja. Até hoje a Missa em homenagem ao Duque de Caxias, mandada celebrar pelo Exército, no Dia do Soldado, 25 de agosto, é realizada nesta Igreja.

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A igreja foi novamente ampliada no princípio do século XX, entre 1908 e 1914, pelo Vigário Antonio Boucher Pinto (obs.: como vemos na foto acima, nesta época a fachada da igreja já tinha sido infelizmente convertida de rococó para algo mais neoclássico, crime cometido com outras tantas igrejas na cidade). Porém, a igreja como se vê atualmente é proveniente da reforma ocorrida em 1928 na gestão de Monsenhor Mac Dowell. Em 1931, a Igreja foi agregada à Basílica de São João Latrão, de Roma, passando a gozar de todas as indulgências e  graças espirituais anexas à mesma, condição única na América do Sul, na época recebeu do Papa Pio XI uma relíquia  de São Francisco Xavier. Em 1960, a cúpula da Igreja ruiu e uma nova foi construída de concepção semelhante a  anterior.

Para se chegar à igreja, hoje, o visitante deve passar por um corredor de palmeiras imperiais seculares, talvez quase tão antigas quanto as do Jardim Botânico, plantadas sobre um terreno onde, no passado, existia um cemitério.

Nesta Igreja encontram-se três relíquias de inestimável valor:

– pia batismal, em mármore de Lioz, trazida da França pelos jesuítas em 1627, a mais antiga em uso no Rio.
– fragmento ósseo de um dos braços de São Francisco Xavier, doado pelo Papa Pio XI em 1931, por ocasião da agregação desta Igreja à Basílica de São João de Latrão, em Roma.
– imagem de N. S. das Dores trazida da Europa e doada pela Imperatriz D. Thereza Cristina em 1880.

O interior da igreja é bastante austero e simples. Não consegui encontrar imagens de como seria antes das reformas no século XX.

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A igreja só possui azulejos nas cúpulas (com formato de influência mogol) das torres, mas a bela composição formada com o trabalho que até lembra um pouco o antigo alicatado, em manganês, branco, cobalto e amarelo, combinado com o azulejo de padrão “Estrela e Bicha” (“Slangster” em holandês; “Estrela e Serpente”) já vale por muito prédio inteiro!

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Pelo tamanho das estrelas, e o desenho das bichas, bem como a regularidade rígida resultante do uso de estanhola, me inclinam a achar que estes azulejos de padrão sejam mais uma vez de origem holandesa.

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