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Epílogo de D. Álvaro de Ataíde

Era o terceiro dia de fevereiro de 1554, manhã fria da neve do dia anterior, quando a nau da marinha portuguesa fortemente armada ancorou no porto de Malaca. Em silêncio, o capitão, oficiais e soldados perfilados junto ao cais marcharam célere em direção ao palácio do governador. Lá chegando, prenderam D. Álvaro de Ataíde e o embarcaram em direção a Goa para depois ser transferido para Lisboa.  Ele tinha sido declarado criminoso de alta traição para com o Estado e a Igreja. Condenado à prisão perpétua, após alguns anos, seu corpo foi recoberto por úlceras e reconheceu que a justiça divina aconteceu.

Vejamos a razão de sua condenação:

Seu crime maior foi impedir a missão de São Francisco Xavier na China, e ter contribuído para o fracasso da missão diplomática, acordada junto ao rei de Portugal e do vice-rei na Índia. Os elevados investimentos de D. Diogo Pereira, inclusive os quarenta mil escudos de ouro para as primeiras despesas bem como os bens adquiridos para presentear as autoridades chinesas, foram furtados por Álvaro de Ataíde que, cheio de autoridade, retirou o leme do navio Santa Cruz impedindo-o de navegar. Entregou o comando da nau a vinte e cinco marinheiros escolhidos por ele e comandados por Luís de Almeida. Invejoso por não ter sido escolhido embaixador, Ataíde empobreceu Diogo Pereira, roubando sua carga e seu navio.

Pronto para navegar, D. João Soares acompanhou Xavier até o cais e indagou:

– Não vae se despedir do governador?

– D. Álvaro não mais me verá nesta vida! Eu o esperarei no juízo de Deus!

E profetizou:

– D. Álvaro de Ataíde, será preso, encarcerado, espoliado de todos os seus bens e morrerá no cárcere em Lisboa.

E assim aconteceu, por ordem real D. Diogo Pereira teve todos os seus bens recuperados enquanto D. Álvaro de Ataíde morria no cárcere em Lisboa atacado pela lepra.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho (Membro do Apostolado da Oração)

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