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Da provocação à luta

O Bispo de Olinda foi sagrado em 17 de março de 1872 em São Paulo quando circulou um panfleto no Rio de Janeiro acusando Dom Vital de ultramontano e perigoso. Era o início da luta sem trégua que o aguardava. Vítima do regalismo reinante na corte que considerava o clero uma classe de funcionários do Estado, envolvendo-se em assuntos puramente espirituais. Orquestrada pela Maçonaria, montaram uma ostensiva publicidade para o dia 29 de junho quando seria realizada uma missa cantada comemorativa da fundação da loja maçônica. O bispo ordenou em segredo que não fosse celebrada a missa como cerimonia maçônica e ela não foi realizada.

Em represália a Maçonaria publicou os nomes dos seus adeptos pertencentes às Irmandades. O Bispo, após tripla admoestação, lançou o interdito às capelas das Irmandades. Isto fez com que a situação se agravasse e durante dois anos a relação entre o Estado e a Igreja; em consequência, diplomacia e pontificado se estranharam.  Consultaram o Imperador e ele disse:

– Quero apenas obedecer e nada quero com o Papa.

Com excesso de justificativas pediram até expulsão dos jesuítas. Os revoltados e malfeitores invadiram o colégio dos jesuítas e durante uma hora espancaram diversos padres e destruíram quase tudo, salvando-se apenas o altar. Do colégio passaram para a tipografia do jornal católico União, atirando os tipos gráficos ao rio e queimaram o retrato do Papa Pio IX.

Dom Vital foi intimado a levantar o interdito e deixar os maçons tranquilos nas Irmandades, mas recusou a ordem, pois optou em cumprir os deveres de um Bispo católico e com Deus, com isto as ameaças se avolumaram contra o Bispo inocente armado da santidade de sua vida.

– Não posso defender-me porque seria reconhecer a competência do Tribunal Civil em matéria religiosa.

Em 5 de fevereiro, é enviada a acusação definitiva para ser respondida. Dom Vital, que escreveu e falou:

– Senhor! Jesus, autem tacebat.  (segundo Mt 26,23)

Em primeiro de janeiro de 1874 chega a Recife decreto de prisão do primeiro juiz da vara cível, mandando executar a ordem. A força policial chega na capela do palácio e o prelado apresenta-se na majestade de seu alto múnus, paramentado com mitra e báculo cercado de padres da Câmara Eclesiástica.  Descendo as escadarias do palácio encontram a multidão dando vivas ao Bispo. Os policiais ficam atônitos sem saber o que fazer.

Dom Vital embarca escoltado no navio que o conduz ao Rio de Janeiro. Foi condenado a quatro anos de prisão com trabalhos forçados, mas o Imperador comutou em prisão simples. Cai o gabinete do Visconde do Rio Branco e o Imperador convida o Duque de Caxias para substituí-lo. Amigo dos capuchinhos que conheceu na Guerra do Paraguai, declarou que só assumiria com a anistia antecipada dos Bispos de Olinda e do Pará, bem como os demais eclesiásticos presos pela mesma causa. Sem alternativa o Imperador concedeu a liberdade em 3 de setembro.

Enquanto preso, D. Vital tornou-se missionário no próprio cárcere e do fundo da prisão sua voz chegava aos diocesanos através da pastoral lida em todas as Igrejas da Diocese e do Brasil.

Em 17 de setembro de 1875 capitula o governo imperial.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho (Membro do Apostolado da Oração)

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