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Andou sobre as águas a pés enxuto

No longínquo ano de 620 o venerável Bento de dentro do mosteiro chama aflito o irmão Mauro à sua presença:

– Corre irmão Mauro, o menino Plácido foi buscar água e se desequilibrou caindo no lago e está sendo arrastado para longe.

O jovem fora buscar água e ao mergulhar a vasilha se desequilibrou e caiu na água. Mauro[1] a toda pressa recebe a benção de Bento e corre para o local. No outro lado da margem avista Plácido[2] já se afogando e sendo arrastado. Concentrado e em nada mais a pensar corre aflito em sua direção e arrasta-o pelos cabelos trazendo-o de volta. Logo após, olha para trás e verificou espantado ter caminhado sobre a água sem sentir. Coincidentemente, Mauro e Plácido eram primos.

Retornando à presença do venerável Bento frei Mauro relatou o ocorrido e, como resposta, ficou sabendo ser mérito dele próprio o que contestou com veemência.

Não, é mérito vosso que me chamou.

A discussão de humildade foi sanada com a declaração do menino:

– Eu, quando era tirado da água, vi sobre minha cabeça a melota[3]do abade e estava convencido de que era ele que me estava salvando.

O mesmo sinal de santidade se fez sentir em 1550 quando, em comitiva nas cercanias de Salvador e, na presença de Tomé de Souza (Governador Geral),  Manoel da Nóbrega ordenou a Anchieta[4] que mergulhasse no rio caudaloso para salvar o cavalo e cavaleiro que não podiam passar pela pinguela estreita e estavam presos no galho de uma árvore na margem do rio que teriam de atravessar. Sem saber nadar, Anchieta prontamente mergulha no rio e trás os dois. Tomé ordena que o bedel providenciasse uma muda de roupa para Anchieta o que Nóbrega contestou:

– Não é necessário, ele vem enxuto.

E, para espanto de todos, assim aconteceu.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho (Membro do Apostolado da Oração)

[1] Morreu de peste no mosteiro beneditino em Glanfeuit na França.

[2] Foi martirizado na Silícia pelos sarracenos.

[3] Antiga peça do vestiário monástico no tempo de São Bento usada somente pelos abades e que caiu em desuso.

[4] Pelo seu comportamento e entrega total a Deus na missão, Anchieta pode ser considerado como o São Francisco Xavier das Américas.

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