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A expansão portuguesa e o jesuítas

A história da Igreja é plena de obstáculos ao longo dos séculos. Em todas as épocas tivemos marcantes ocasiões em que novas ordens religiosas desempenharam papeis distintos, acarretando enfrentamento e/ou adesão aos governos dos próprios estados em que se situavam. Com o protestantismo germinando na Alemanha e invadindo os países nórdicos, expandindo pela Suíça e França, procurando desacreditar Roma. Este, era o ambiente que Inácio de Loyola encontrou.

Ele foi ímpar em fundar a Companhia de Jesus visando promover a salvação das almas pela pregação, criando os exercícios espirituais, promovendo a educação cristã para as crianças e o povo em geral bem como estendendo o ensino a nível universitário e às próprias cortes.

A importância da ordem a fez elevar a vida cristã dos fiéis cuja instrução religiosa se calçava nas Missões no sul do Brasil e, naturalmente, criou inimigos frutos da inveja. Na maioria dos barcos oceânicos dos grandes navegadores portugueses do século XVI havia um jesuíta para zelar pelas almas dos embarcados; em terra deixaram muitos mártires, na Ásia e nas Américas. No Brasil. particularmente, os jesuítas sofreram com o nefasto Regalismo do Marquês de Pombal expulsando os jesuítas de suas missões quando eles atuavam com mais de quinhentos religiosos, promovendo graves prejuízos no reino, no Brasil e na Ásia. Deixaram importantes construções sejam igrejas, hospitais e escolas por onde passaram.

Rememorando:

O pioneirismo de Afonso de Albuquerque se perdeu após quatro séculos, mas deixou para a posteridade a convivência entre as três religiões cristã, hindu e maometana criando um amalgama cultural na América, Ásia e África enraizada nos hábitos, costumes e tradições. Em contraste com o novo mundo e em muitas ilhas da Ásia, onde  os descobridores encontraram os habitantes no estado de natureza, no Oriente (Índia e  Japão) os portugueses  depararam com cidades estabelecidas e organizadas. Sendo um país pequeno que não alcançava meio milhão de habitantes, Portugal carecia de mão de obra para sedimentar as conquistas. Restava exportar os indesejáveis presos, condenados ao degredo e os que estavam aptos a viajar deveriam se submeter à assimilação e/ou mestiçagem para atender as necessidades do reino. Era o que se comentava à época: Vamos levar cristãos e trazer especiarias ou vamos levar cristãos e trazer pau e tinta. Vamos levar cristãos e trazer açúcar. A importância da ordem jesuítica se fez sentir porque eles eram diferentes; não contemplativos e sim conquistadores para Cristo. Era um incentivo aos jovens aventureiros, pois para a Índia significava atender a ordem emanada da corte, tomem por legítimas esposas as mulheres da terra, constituindo uma população verdadeiramente mestiça. Foi um trabalho hercúleo do jesuíta Xavier e demais companheiros convencer os casais amancebados em regularizar a união para atender as exigências da Igreja. A miscigenação combatida inicialmente pelos hindus acabou sendo aceita já que no reino se praticava o casamento de judeus e cristãos. Na Índia, os casamentos mistos iniciaram em 1509 e quatro anos adiante mais de 500 casamentos foram realizados, garantindo uma assimilação pela ambição evangelizadora face do bom trabalho dos jesuítas. Nada foi fácil, a conquista envolveu sangue derramado com Calicute sendo bombardeada em 1503 e 1504 até que fosse imposto um tratado pelo uso das armas.

Fruto da catequese e sedimentação da religião foram construídas Igrejas imponentes em Goa, Cochim, Malaca, Moçambique e Macau, onde as ruinas da Igreja Madre de Deus ainda hoje são objeto de admiração. A Igreja de Goa passou a sede de bispado em 1534 com jurisdição sobre a Ásia e a costa oriental africana.

A influência da Companhia de Jesus era tão significativa que o vice rei Pedro de Almeida escreveu em 1742 ao Secretario de Estado em Lisboa relatando “as deserções são em número tão elevado que em breve não tenhamos um único soldado europeu, todos tentam entrar nas Ordens Religiosas”. Com os jesuítas preocupados exclusivamente com a missão o Samorim de Calecute aguardava o retorno da esquadra portuguesa para atacar os portugueses que permaneciam, forçando D. Manuel I a manter uma esquadra permanente para defender o território conquistado. Assim sendo, em 1771 o governador João José de Melo propôs a extinção do Vice-Reinado para eliminar despesas. Desde a conquista, Goa era um território controlado pelos muçulmanos que os portugueses chamavam de mouros, eternos adversários dos hindus e dos portugueses, combatendo o trabalho de missão conduzido por Francisco Xavier e seus seguidores. O controle dos territórios conquistados foi fruto de alianças de Portugal com os reinos hindus.

No Brasil, para garantir a conquista tiveram de se unir aos nativos e enfrentar a brutalidade de seu estado de natureza para, a duras penas, contar com a adesão dos selvícolas na luta contra os corsários franceses e holandeses. Muitos dos indesejáveis que foram obrigados a embarcar como castigo, encontraram nas mulheres nativas a solução do problema que acabou no colo dos jesuítas.

A desestabilização dos estados vizinhos após a deflagração mundial e a tentativa do Império Britânico de manter unida a Índia ruiu, deixando à margem as colônias árabes no Oriente Médio e as conquistas portuguesas. Restaram as colônias africanas e na Ásia, Timor Leste que lutariam por sua independência mais tarde. Em ambas regiões os jesuítas presentes fizeram manter a fé católica e mantiveram a ação humanitária e espiritual.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho (Membro do Apostolado da Oração)

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