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Salvo pela mão de Deus

A viagem de Roma até Lisboa durou três meses e em todo o percurso teve a mão de Deus sobre Xavier. A travessia dos Alpes realizada durante o inverno, foi penosa para todos, menos para o jesuíta porque nos trechos mais severos, onde ele pisava a bota não afundava na neve, surpreendendo a todos que não conseguiam uma explicação.

A proteção espiritual da divina Providência esteve presente durante toda a viagem, pois o embaixador fazia paradas, diariamente, montavam a barraca para que todos fizessem a confissão no meio ao frio reinante. Digo, toda a comitiva obedecia a ordem do embaixador.  Apeava-se dos animais e a carroça com o embaixador era desatrelada dos cavalos, enquanto Xavier ajudava no trato dos animais cuidando dos cascos e agindo como um mulomedicus[1].

As paradas nas hospedarias foram muitas; um guia seguia à frente preparando a hospedagem e refeições. Xavier iniciava seu trabalho oficializando a Santa Missa e, logo após, eram todos liberados para refeições e descanso. Obviamente era o último a deitar. Muitas vezes, dava ajuda aos servos no trato dos cavalos antes mesmo de dormir.

No início da viagem em Bolonha o embaixador avisou que um cavalo estava reservado para o Santo Padre; ele não aceitou a exclusividade, montava pequenos trechos e oferecia o animal para um dos integrantes que caminhava a pé e demonstrasse maior cansaço; assim foi durante toda a viagem. Francisco Xavier tinha a convicção de que era devido às orações do embaixador e das pessoas de sua casa que a obediência unida da comitiva se fazia presente. Entretanto, todos que acompanhavam o embaixador sabiam que tudo derivava das orações do santo Francisco.

O ápice da viagem ocorreu no início da travessia dos Alpes ainda coberta de neve; numa passagem perigosa, o secretário do embaixador apeou do cavalo e um grito desesperado se fez ouvir. Sem reconhecer o sítio em que pisava, o secretário desapareceu num imenso precipício; suas roupas estavam embaraçadas nas asperezas de um rochedo e ele suspenso sobre o abismo e sustentado pelo que restou de sua roupa que iria rasgar, teria morte horrível.

Xavier, conforme ensinou São João Paulo II, não teve medo; sem escutar as súplicas lançou-se com admirável facilidade e qual um gato puxou para si o secretário e o restituiu ao embaixador. Xavier acabara de praticar uma coisa humanamente impossível. Todos foram unânimes em exclamar Milagre.

Tão sublime modéstia não podia ser ignorada e. a imagem do santo cresceu na mente do embaixador; ele não fez segredo ao chegar em Lisboa e relatar ao rei.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho (Membro do Apostolado da Oração)

[1] Veterinário prático do sec. XVI que portava um chifre com tampa contendo remédio para o trato dos cascos dos animais.

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