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Proibição de Noviciado

Antigo convento e a Faculdade de Direito no Largo São Francisco (São Paulo-SP) em 1874.

Na época do Segundo Império, em 19 de maio de 1855, D. Pedro II decidiu golpear as Ordens Religiosas caçando as licenças concedidas para a entrada de noviços na ordem dos franciscanos. Foi uma ação da política religiosa do Segundo Império, para fustigar a Santa Sé e dar fim ao problema da concordata que o governo imperial iria propor. Apesar da afronta temos a paciência de compreender não ter tido D. Pedro II uma infância feliz e, talvez isso seja um reflexo de sua carência de infância que acabou refletindo na sua idade avançada. Ficou órfão de mãe com 1 ano de idade e criado sem a presença do pai desde os cinco anos. D. Pedro I, libidinoso, não foi um pai presente ocupado com outros prazeres da vida, apesar de ter tido como tutor frei Arrábida.

Pedro II, foi educado por um tutor culto, José Bonifácio, mas não tão religioso. Desde os 14 anos, assumiu o trono com a abolição da regência, sofrendo ainda a saudade permanente do pai, amenizada com o toque de suas mãos na mecha de cabelo de seu genitor enviada de Lisboa para aliviar a lembrança a pedido do filho.

Foi um golpe nas Ordens Religiosas e uma injustiça pois o Governo Imperial nunca entrou em acordo com a Santa Sé, nem tentou semelhante ato. Desde que se estabeleceram nas províncias do Sul os franciscanos jamais negaram sua colaboração ao governo e ao povo. Percorreram o interior e o litoral das províncias do Sul, levando com fadigas a assistência religiosa e a catequese dos índios. No fim do século XVII seus missionários eram em maior número, quando comparado às demais Ordens Religiosas juntas. O ensino primário estava presente em todos os conventos, sem falar no apoio do ensino superior. Serviram na paz e na guerra, já que o governo recorria aos franciscanos ceder capelães para as fortalezas e navios. Serviram nos hospitais, leprosários, na assistência aos condenados à forca, nas aldeias e até em fazendas, após a expulsão dos jesuítas. Aliás, o próprio D. João VI teve um capelão franciscano durante vários anos na fazenda de Santa Cruz.

Incomodado com a situação que perdurava, o benemérito Frei Fidelis d’Avola aproveitou a cerimônia de beija-mão para inquirir o imperador D. Pedro II pelo desafeto a Deus. Afinal, Deus recomendou e a própria Igreja solenemente aprovou.

Majestade, rogo que seja franqueado de novo o noviciado. O imperador respondeu:

-Qual o quê? A época dos frades já passou.

O frade retorquiu:

– Majestade, não diga assim, porque por aí também andam a dizer que já passou o tempo das cabeças coroadas.

Pedro II não gostou. Mas o frade foi profeta e o imperador foi destituído quando da implantação da Republica.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho (Membro do Apostolado da Oração)

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