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Pároco

Pe. José Li GuoZhong

parocoSabemos que a China é ainda, um dos últimos países comunistas no mundo.  Pe. Li nasceu neste país gigante em 1963, de uma família católica (de apenas 4 ou 5 gerações). Apesar das violentas perseguições e da revolução cultural (1965-1975), sua família sempre praticou a fé às escondidas: orações da manhã, oração e terço à noite eram rezados num quarto escuro e  bem baixinho, para ninguém descobrir.
Sua vocação se deve à educação religiosa e ao exemplo da fé dos pais pois quando pequeno, sua mãe sempre lhe dizia:
–    Meu filho, quando você crescer, vai ser padre porque fiz uma promessa e o ofereci à Igreja.
– Como?  Perguntava o pequeno Li.
– Você nasceu muito doente, e a medicina não tinha muitos recursos a fazer . Muitas crianças morriam, então, pedi a Deus que se você morresse, que fosse feita a Sua vontade, mas se melhorasse, o ofereceria à Igreja para ser padre.

Com a graça de Deus, ele foi curado e educado junto com seus 4 irmãos. A família rezava unida pela manhã, à noite, antes das refeições, sempre escondida. Aprendeu todas as orações e ladainhas, até a via-sacra, de cor com seus pais. E Deus chamou-o, pois desde  criança queria ser padre, apesar de não saber como era a vida de um sacerdote.

Primeira Comunhão:
Quando aos 16 anos estudava o 2º grau num colégio interno, longe de casa, Li recebeu a notícia de que um padre estava visitando pela primeira vez um vilarejo, depois de 30 anos. Resolveu ir até lá com um colega à noite, depois das aulas (eram os únicos católicos no colégio). Pegaram uma bicicleta velha e partiram. No meio da estrada escura, a bicicleta quebrou-se, mas movidos pela fé e entusiasmados para conhecer o padre,  andaram a pé uns 10 Km até chegar ao vilarejo. Aprendeu a confessar-se e fez a Primeira Comunhão sem ter aula do catecismo.

Sua vinda ao Brasil:
Na China comunista, Li não tinha condições e nem  havia o Seminário. Seu  tio, que era padre e trabalhava com a Colônia chinesa em São Paulo,  visitou sua família, depois de 30 anos. Então, seus pais conversaram com ele sobre a promessa feita quando Li era pequeno, e decidiram trazê-lo ao Brasil. Começaram a providenciar os documentos no Brasil para pedir visto de entrada e na China para pedir o passaporte. O visto de entrada foi rápido, mas o passaporte demorou 3 anos,  depois de inúmeras idas e vindas à Polícia, sendo preciso mentir para poder sair da China, pois eles lhe perguntavam o que iria fazer no Brasil. Li respondia  que continuaria seus estudos científicos, pois terminara o 2o grau. E se seu tio o obrigasse a entrar no Seminário?  Insistiam os policiais.  Ele  dizia que já era  maior de idade, e sabia o que queria no Brasil. Só no final de outubro de 1983,  Li chegou a São Paulo e um ano depois de aprender  português, entrou no Seminário São José, no Rio, onde estudou Filosofia e Teologia durante 6 anos. Ordenou-se  sacerdote em 1991. Trabalhou  12 anos na Paróquia N. S. da Conceição, em Ramos e está na Paróquia São Francisco Xavier, na Tijuca, há 5 anos.

Situação da Igreja na China:
Depois da revolução comunista em 1949, houve muitas perseguições religiosas, sobretudo durante a revolução cultural a partir de 1965. O governo proibiu a celebração de missas, as igrejas foram transformadas em escolas , fabricas ou hospitais. Conhecemos  a história de  bispos e padres que passaram mais de 30 anos na prisão e em campos de trabalhos forçados e foram torturados e martirizados. Apesar da violência o governo comunista não  conseguiu destruir a fé dos cristãos, pelo contrário, os católicos mostravam mais firmeza e coragem.
Então, o governo comunista se viu obrigado a tomar novas medidas, criando a Associação Patriótica Católica para controlar e desunir a Igreja, mas muitos bispos, padres e fiéis resistiram à proposta deles e não  se associaram à esta Igreja, para não negar sua fé e comunhão com o Papa.
Até hoje a Igreja na China é dividida em duas: A Igreja Patriótica dirigida pelo governo e a Igreja do Silêncio ou Subterrânea perseguida pelo governo comunista. Atualmente a China conta com 12 milhões de católicos, o que não significa 1% da população, a maioria dos fiéis pertence à Igreja perseguida, mas nesta situação tão difícil, existem poucos padres. As comunidades vivem hoje como as  primitivas de Jerusalém. Não têm igreja (templo) para se reunir, e rezam em casas de família. O Padre só celebra a missa uma vez por mês, no máximo, muitas vezes de madrugada ou à noite, para não chamar a atenção da polícia.

A canonização dos 120 mártires (87 chineses e 33 missionários europeus) no dia 02 de outubro  de 2000 pelo Papa João Paulo II, apesar dos protestos veementes do governo que considera estes novos santos como criminosos, mostra a difícil situação da Igreja naquele país.  Portanto, precisamos rezar pela Igreja sofrida na China, testemunhando a nossa fé num país, onde temos toda a liberdade. Vale a pena lembrar as palavras de Jesus que nos consola e encoraja: “Felizes sereis quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos injuriarem e declararem maldito o vosso nome, por causa do Filho do homem. Alegrai-vos nesse dia e exultai porque grande será a recompensa no céu.”( Lc 6, 22-23).

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