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Os seguidores de São Francisco Xavier

Dentre os mais eminentes jesuítas destacados para o Oriente citamos os italianos Alexandre Valignano e Matteo Ricci. Alexandre foi laureado com boas notas na Universidade de Pádua e Ricci pela Universidade de La Sapienza. Ambos possuidores de um intelecto acima da média, fizeram um belíssimo trabalho pastoral no Oriente, particularmente, no Japão e na China.

 

Alexandre Valignano

Antes de partir para o Oriente o jesuíta negociou com o rei de Portugal uma renda mensal para a missão no Oriente, partindo para o Império do Sol Nascente em 1574. Visitou o Japão em três oportunidades nos períodos de 1579 a 1582, 1590 a 1592 e 1598 a 1603.  Passou por várias regiões, convencendo-se existir um povo com cultura privilegiada.

Alexandre foi provincial na Índia de 1583 a 1587. Ao chegar no Oriente passou a responder diretamente ao Geral da Companhia de Jesus em Roma, padre Mercurian e, por ser um estrangeiro, passou a sofrer todo tipo de pressão, em parte por ciúmes e muito haver com seu jeito um tanto arrogante.

O jesuíta Alexandre conseguiu ter sucesso em sua missão no Japão apesar dos conflitos com os jesuítas lá instalados, principalmente por conseguir desfazer os feudos milenares. Em vez de seguir o estilo de Francisco Xavier e iniciar o trabalho missionário através das crianças, optou por abordar primeiro os chefes locais na tentativa de conquistar o país de uma só vez a partir do seu imperador. Estudioso, tornou-se fluente em Japonês, implantando uma gramática da língua.

Em 1594 o jesuíta Alexandre fundou o Colégio Jesuíta de São Paulo em Macau que se tornaria a base da missão no Oriente.  Ele desejava transformar o Colégio em um centro de formação de línguas orientais e lá estudaram alunos excepcionais que vieram divulgar a fé pelo Oriente. Defendia a escola adaptacionista com o aprendizado da língua e cultura locais. Na tentativa de chamar para si o interesse dos orientais, adotou o vestiário, linguagem, ritos e costumes orientais, irritando os dominicanos. Construiu uma série de seminários e escolas e muitos senhores feudais abraçaram a fé, gerando cristãos nipônicos. Por seus méritos, conseguiu a conversão do Daymio Omura Sumitaba em 1580. Obteve os direitos de administrar o porto de Nagasaki, pouco antes da perda da independência de Portugal sob a União Ibérica. Defendia a adoção de hábitos orientais para angariar seguidores o que era criticado pelas demais ordens religiosas.

O jesuíta Valignano, ao ser transferido para a China, mergulhou, profundamente, na cultura chinesa vestindo-se como chinês, alimentando-se como chinês e aceitando os preceitos chineses através do pensamento de Confúcio e seus cultos junto ao povo, bem como a valorização do confucionismo influente entre as elites e, sem pressa, foi inserindo os preceitos cristãos. O imperador Wan Li ofereceu dinheiro e apoio logístico para sua missão. Conseguiu autorização de Roma para transferir a base da missão de Goa para Macau, dando prosseguimento ao trabalho pioneiro de Xavier. No momento oportuno soube apoiar os jesuítas sediados em Macau e, trouxe para si os portugueses no próspero comércio Nanban para financiar as muitas operações, o que levou ao conflito com Roma, angariando recursos junto aos chineses e pode levantar varias igrejas que perduram até hoje, destacando-se:

1557:  Igreja de Santo Antônio que os chineses apelidaram de Igreja das Flores;

1565: Igreja de Madre de Deus cuja fachada que resta é considerada Patrimônio Mundial;

1568:  Igreja de São Lázaro reconstruída em 1967;

1587: Igreja de São Domingos e a capela de São Francisco Xavier na colina de Mong-Há;

1622:  Ermida de Nossa Senhora da Penha de França;

1740:  Capela de São Tiago;

1851:  Igreja da Sé;

1875:  Capela do cemitério de São Miguel Arcanjo;

1951:  Capela de São Francisco Xavier na colina Mong-Há;

1968:  Igreja Nossa Senhora de Fátima;

1999:  Igreja São José Operário.

O jesuíta Alexandre Valignano faleceu em Macau aos 66 anos em 20 de janeiro de 1606 e lá foi enterrado.

 

Matteo Ricci

Natural de Macerata, Italia, partiu para Roma para estudar Direito na Universidade La Sapienza. Começou a frequentar as reuniões da Associação Cristã de Jovens ligada à Companhia de Jesus que promovia os exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola. Acabou ingressando na Companhia de Jesus contra a vontade de seu pai. Estudou depois no Colégio Romano onde estudou Retórica, Filosofia e Teologia, acrescido de Matemática, Cosmologia, Geografia e Astronomia sob a orientação do culto padre Cristóvão Clávio. Em 1577 foi aconselhado pelo padre Alexandre Valignano a voluntariar-se nas missões de evangelização na Ásia. Foi para Portugal estudar a língua em Coimbra e partiu para Goa em 1578. Ordenou-se sacerdote em 1580 enquanto lecionava latim e grego em Cochim onde terminou seus estudos em Teologia.  Alexandre Valignano o destacou em 1582 para missão jesuíta na China. Estudou a língua chinesa em Macau durante um ano e começou a preparar um dicionário de língua chinesa enriquecendo o trabalho de Valignano com a romanização dos verbetes. Penetrou no território em 1583 e dirige-se até a residência do vice-rei de Guangdong e Guangxi. Recebe com o padre Rugieri autorização para permanecer mais 14 meses e inauguram em Zhaoqing a primeira casa da missão católica jesuíta na China.  A missão em Zhaoqing fez sucesso notadamente entre a elite cultural chinesa, mas começou a complicar em 1589 quando o novo vice-rei de Guangdong e Guangxi expulsou os jesuítas da residência. Entretanto, temendo complicações com os missionários portugueses em Macau, autorizou os jesuítas a residirem em Shaguan. Esta nova missão estabeleceu amizades com os letrados chineses e Ricci começou a adotar o vestiário, alimentação e os costumes dos eruditos confucianos. Toda esta estratégia de inculturação da fé com o fim de melhorar os resultados das missões foi permitida pelo seu superior Alexandre Valignano e pelo Superior Geral da Companhia de Jesus em Roma. Cuidadoso, Ricci introduziu o calendário gregoriano na China, adaptando ao calendário lunar local.

Ricci estava convencido de que o Evangelho na China só teria sucesso se abrisse as mentes dos letrados à cultura ocidental. Limitou-se ao uso da razão que era muito valorizado e leva as pessoas a conheceram a verdade que está presente em cada ser humano.

Em 1600 Ricci partiu para Pequim e entrou na corte imperial chinesa em janeiro de 1601. O imperador Wanli que já conhecia a reputação e fama de Ricci, ficou maravilhado com os presentes recebidos dos missionários, ou seja, uma pintura renascentista de Cristo, uma grande pintura antiga da Virgem Maria com o menino Jesus e São João Batista, um breviário ornamentado de ouro, uma cruz incrustada de pedras preciosas, peças de vidro policromado contendo relíquias de santos, o atlas Theatrum Orbis Terrarum de Abraham Ortelius, o Mapa-Mundi em chinês preparado por Ricci, um relógio de grandes dimensões com pesos, um pequeno relógio de metal dourado, dois prismas, um clavicórdio, oito espelhos, dois relógios de areia, os quatro Evangelhos e vários outros objetos.  O imperador ficou fascinado pelo Mapa-Mundi representando as novas nações europeias (desconhecidas pelos chineses) e a América; representando a China menor que os mapas chineses tradicionais. O imperador ordenou a Ricci a elaboração de mais cópias deste mapa que ofereciam aos chineses uma nova imagem do mundo.

Embora não conhecesse os jesuítas pessoalmente, concedeu permissão para ficarem em Pequim e construíssem uma residência com capela. Esta capela sofreu sucessivas reformas, foi alargada e tornou-se a Catedral da Imaculada Conceição denominada Nantang. Os missionários formaram uma comunidade católica dinâmica, conseguindo a amizade de vários mandarins e letrados ilustres, dentre eles Paulo Xu Guangqi que interviu junto ao Imperador chinês para que confiasse aos astrônomos jesuítas a reforma do calendário chinês.

Além de religioso era um cientista nato; escreveu vários livros sobre a doutrina cristã. Ele foi muito admirado e respeitado pelos intelectuais chineses por ser um homem singular, vivendo no celibato, não disputava cargos, falava pouco, conduta ilibada e servia a Deus de modo contínuo. Morreu aos 57 anos em maio de 1610 e foi sepultado em solo chinês, um raro privilégio. Na comemoração dos 400 anos de sua morte a obra de Ricci mereceu uma série de homenagens na China e na Europa.

A beatificação de Matteo Ricci (1552 – 1610) foi iniciada em1984 e recomeçada em 24 de janeiro de 2010 na catedral italiana de Macerata.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho (Membro do Apostolado da Oração).

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