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Os Paravás, um caso de amor

Situado a cerca de mil quilômetros ao sul do Sri Lanka, disperso desde o Camorim até a Ilha de Manar, Xavier encontrou um povo esquecido que vivia de promessas desde quando receberam o batismo acreditando ter, a partir de então, a proteção dos portugueses contra os árabes e hindus, o que nunca aconteceu até a chegada de Xavier. Habitando a Costa da Pescaria, tão inóspita e pobre, os paravás eram uma subcasta tão abandonada que nenhum português ou espanhol conseguiu se fixar lá.  Evangelizá-los, corretamente, só foi possível com a chegada do jesuíta Francisco Xavier.

Ele encontrou um povo sem instrução, dócil e cheio de medo, dominado pelos rajás do interior e explorados pelos atravessadores maometanos chegados do mar e pela elite hindu do interior. O jesuíta sentiu o jogo de interesses reinante, tal como encontramos hoje o nosso Brasil.  Com certa frequência tomou conhecimento da matança que acontecia, por vezes, quando um pescador revoltado sequestrava e matava um explorador. A vingança era imediata, matavam os pescadores, mulher e filhos, obrigando outros a fugirem para se salvar. Felizmente, Xavier com sua doçura e carisma, foi conquistando a todos, especialmente as crianças que não resistiam aos seus encantamentos e, por extensão, os adultos que se aproximavam por medo da vingança árabe. Na época da colheita nos bancos de ostras, juntavam cerca de 7.000 pescadores.  Desenvolviam um trabalho de alto risco, mergulhando a mais de 10 metros de profundidade. Tampavam os ouvidos e as narinas com cera, uma pedra atada no pescoço, uma cesta na cintura e uma faca nos dentes. Mergulhavam cerca de 50 vezes ao dia, permanecendo três minutos para voltar à superfície sem ar, muitos expelindo sangue e alguns com espasmos para morrerem a seguir. No pico da estação de pesca a fiscalização apertava, pois além do tributo ao rei, apareciam os gananciosos intermediários que sobretaxavam os pobres pescadores. O trabalho de Xavier fez os paravás abandonarem as tradições hindus e uma massificação da fé ocorreu.

O missionário conseguiu o impossível, criando uma comunidade sólida na fé, abrangendo todos os povoados. Sentindo a aceitação dos ensinamentos de Cristo mesmo sem falar a língua nativa, tratou de traduzir o catecismo para a língua nativa (tâmil), o que resultou em sucesso total, pois celebrava na língua nativa, abandonando o idioma latino. Batizou cerca de 40.000 nativos, deixando cristãos espalhados por toda a Costa da Pescaria.

Entretanto, conquistar os paravás não foi tão fácil assim, pois Xavier caminhava descalço, de aldeia em aldeia e com os pés e as pernas inchadas e narinas cheias de pó.  Alimentava-se mal, uma única vez ao dia de pão e água ou um punhado de arroz sem tempero.  Eventualmente, ofereciam um peixe assado ou cozido e a sua chegada em cada vilarejo era um acontecimento.

Na Costa da Pescaria, Xavier proporcionou saúde a muitos moribundos e ressuscitou vários mortos. A qualquer boato ou notícia firme de ataque dos badegás contra os paravás, Xavier revoltado clamava …  Ó Jesus, acuda meus queridos paravás. Arriscou a vida inúmeras vezes na defesa desse povo.  Ele ergueu choupanas com um tosco altar chamadas cabanas capelas onde orava fervorosamente. Ao retornar para Goa levou consigo vários paravás que desejavam tornar-se sacerdotes.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho (Membro do Apostolado da Oração).

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