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Os avisos que vem do céu

Antes de tudo temos de levar em conta ser a Índia do século XVI um conglomerado de pequenos reinos com diferentes culturas e crenças debatendo-se por espaço entre si em meio a preconceitos de toda espécie, inclusive social. Em adição o mesmo ocorria com as ilhas apensas, abrangendo as maiores como o Ceilão, onde existia o reino de Jafanapatão.

O devoto Fernando da Cunha, comerciante português com experiência em negociar com o rei do Jafanapatão, aproveitava os momentos de sossego para evangelizar o seu filho com quem já tinha apreço, afastando-o do culto às divindades do pai. A verdade chegou aos ouvidos do soberano através dos brâmanes que nada tinham a ver com isso já que professavam outras crenças. A intriga fechou as portas comerciais para Fernando e acentuou a cólera do rei contra seu jovem príncipe, exigindo que ele praticasse a apostasia.  Ante a recusa do filho, mandou matá-lo e lançar seu corpo na mata para servir de pasto aos animais ferozes, mas os animais respeitaram o cadáver.

Fernando entristecido e já ameaçado de morte pelos brâmanes parte nas trevas da noite, descendo a vereda que separava a floresta da plantação de cana e chega na base da colina quando depara com o corpo de um jovem morto e ainda sangrando.  Com dificuldade começa a cavar com as mãos. Cansado e com fadiga extrema descansa e chora; beija o cadáver e faz uma oração. Deita o cadáver na cova e cobre com a terra removida e sai.

Horas depois, os primeiros nativos que passavam pelo local ouviam gritos cada vez mais altos. Sobre a terra revolvida avistavam estampado o sinal da cruz tão perfeita que não demonstrava ser obra humana. Preocupados, os brâmanes viram, naquele acontecimento, um caminho para a conversão dos idólatras. O rei ordenou que se lançasse sobre o local grande quantidade de pedra misturada com terra. Indignado, o soberano de Jafanapatão ordenou:

Removam tudo quanto ali está, que se calque aos pés, que se destrua! Eu proíbo que a cruz volte a aparecer! 

Ordem obedecia, a cruz desapareceu.  Os brâmanes ouvem gritos de vitória de seus adeptos sobre a cruz dos cristãos. Na manhã seguinte novo alarme. Desta vez a cruz se eleva luminosa e cresce à medida que se distancia da terra, permanecendo suspensa por muitas horas. Júbilo entre os pagãos convertidos por Xavier que afirmam ser o Deus dos cristãos mais poderoso; a religião do grande padre Xavier é a melhor porque superou a luta. Os súditos vão reclamar ao rei da impossibilidade de fazer suas ofertas aos seus deuses. O soberano, já inimigo dos cristãos, manda passar a fio de espada todos os neófitos cristãos do reino.  A irmã do rei já convertida foge com seu filho e sobrinho para Goa e no final ocorre a conversão do reino.

Aliás, sobre os sinais de Cristo no céu recordamos a batalha junto da ponte Mílvia[1] em Roma.

Cesar Flavius Constantino que se converteu no ano 312, marchava com seu exército (40.000 soldados) da Gália para libertar Roma e enfrentar o exército equipadíssimo de Magênio (120.000) quando viu no céu inscrito pelas nuvens a frase In signo vinces. Na véspera da batalha Jesus veio ao seu encontro em sonho e avisou com este símbolo vencerás. Impressionado mandou estampar no seu estandarte a frase. Venceu a batalha desigual e imprensou o adversário Magênio contra o rio Tibres; seu exército mergulhou no rio com o desabamento da ponte Milvia, matando Magênio afogado e decapitado. Os que não se afogaram fugiram. Constantino assumiu Roma, revogou as perseguições contra a Igreja e decretou o Édito de Milão em 313, concedendo a todos a liberdade de consciência e reconhecendo o direito da Igreja de existir.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho (Membro do Apostolado da Oração)

[1] A batalha da Ponte Milvia . Óleo sobre tela do pintor holandês Pieter Lasman, 1613.

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