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O zelo pelas coisas do céu e da terra

Extremamente zeloso com as coisas de Deus e de sua missão e, portanto, preocupado com os desmandos nas terras conquistadas no sul da Índia, Francisco Xavier pleiteia com “vigor” junto ao rei de Portugal, seu patrocinador, para enquadrar seus vassalos a se comportarem com dignidade e ética na administração das terras conquistadas. Firme, porém incisivo e sem se preocupar com eventual retaliação do rei (o que nunca aconteceu), relata os desmandos que enfraquece a evangelização. Reclama dos achaques (comuns nos dias de hoje), nas cobranças dos impostos e com a corrupção ao mais alto nível.

Naquela época, o tesouro do reino era também considerado o tesouro do rei e a divisão injusta nas Índias para com as necessidades espirituais, denotava a avareza para com os objetivos da Companhia de Jesus.  Este era o tratamento dispensado pelos administradores de D. João III na Índia.   Nesse sentido, inserimos os parágrafos mais relevantes da longa carta[1] escrita por Francisco Xavier para o rei de Portugal, a partir de Cochim em 20 de janeiro de 1545.

Senhor,

[…]A Providência vos escolheu de entre todos os príncipes cristãos da terra, tanto para fazer a conquista das Índias como para provar a vossa fidelidade e o vosso reconhecimento no cumprimento dos seus desígnos[…]. É necessário que Vossa Alteza imponha aos seus delegados nas Índias um dever imperioso de contribuir com todos os seus esforços para a propagação da fé e para a honra de nossa religião[…]. Enquanto o fiel servidor (D. Miguel Vaz – vigário geral) continuar contando com a docilidade destes povos no jugo da fé, Vossa Alteza continuará tendo a afeição e o respeito dos povos d’aquí[…]. Eu conjuro a que não se limite a manifestar as suas intenções nas cartas dirigidas aos seus ministros, mas que dê uma publicidade solene às suas ordens, e que as sancione por punições exemplares aos prevaricadores.

Senhor, deveis temer que quando Deus citar Vossa Alteza a comparecer perante Si, o que acontecerá infalivelmente, e talvez em um momento em que menos o espereis, e quando não haja razão nem esperança de declinar aquele tribunal, deveis temer que aquele Juiz vos dirija terríveis palavras de acusação [… ]. Rogai por mim ao Senhor, ao mesmo tempo em que eu não cesso de lhe pedir por Vossa Alteza: eu lhe rogo que vos conceda a graça de sentir e de proceder em cada instante da vossa vida como o desejareis ter feito à hora da vossa morte.

De Vossa Alteza, o servo

Francisco Xavier”

[1]  O rei de Portugal concedeu tudo o que Xavier pedia e até substituiu o vice-rei cuja integridade moral deixava muito a desejar.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho (Membro do Apostolado da Oração).

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