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O Santo Império Romano

O Estado Pontifício foi fruto de doações generosas de fieis agradecidos e provinha não somente da Itália como dos reinos convertidos da Europa e do Oriente. O Papa tinha a obrigação de administrá-lo e, para tanto, intervinha em ações políticas quando necessário.  Como o imperador residia em Bizâncio os legados imperiais, corrompidos em sua maioria, só lembravam dos territórios da Igreja para cobrar impostos. Assim, restava aos súditos apelarem para o Papa o que faziam em tempos de paz, guerra, fome e calamidade.

Justiniano recebeu o título de Cesar em 525 e foi coroado Imperador em 527. Como não se comprometeu a vir até Roma, delegou aos bispos italianos escolherem os governadores das províncias e seus funcionários. Portanto, os Papas tornaram-se os verdadeiros administradores de Roma, tanto assim que o Papa Gregório Magno afirmou uma vez “não sei dizer se sou soberano espiritual ou temporal”.

A verdade é que o povo romano, apesar de desprezado pelos gregos, sempre manteve aspirações imperiais fruto de sua opulência e passado. Todos amavam e respeitavam o Papa como pastor e lhe era grato pelos benefícios temporais já que o imperador nada fazia.   Quando a maré virou, assumiu Leão III (717-741) imperador bizantino e militar enérgico intimou o Papa a retirar as imagens da Igreja; os romanos se rebelaram e apoiado pelo Papa, expulsaram os funcionários bizantinos e só não elegeram um imperador porque o Pontífice impediu.

Os lombardos pelas armas insistiam na conquista da Itália e o Papa Estevão II teve de apelar para Pepino o Breve, fundador da dinastia Carolingia; ele veio em socorro de Roma, combateu os lombardos e venceu; fez doação à Igreja das vinte e duas cidades conquistadas. Ele foi firme ao responder o Imperador que reclamou os direitos sobre as cidades e conquistadas:

– Eu não lutei pelos gregos mas por São Pedro e pela remissão de meus pecados.

Corria o ano de 756 quando Pepino foi até o túmulo de São Pedro e depôs as chaves das cidades conquistadas como doação à Igreja. A partir de então estava constituído o Estado Pontifício a chamada Sanctae Ecclesiae Respublica.  Esta posição e existência estatutária trouxe legitimidade, prestígio e segurança à Igreja na Idade Média notadamente contra os muçulmanos e imperadores de Constantinopla.

Carlos Magno, filho de Pepino, assumiu o Império Carolíngio anexando territórios que em 814 abrangia toda a Europa Central inclusive 2/3 da península italiana. Para compreender o tumulto gerado e as tormentas da Europa é necessário vivenciar os desafios da época. Assim, quando os lombardos voltaram a invadir a Itália e ameaçaram Roma em 773 criando insegurança.

Em 799 o Papa foi vítima de um atentado em plena procissão quando o derrubaram do cavalo e tentaram torturá-lo. Levado para um castelo vizinho conseguiu fugir para a Gália ao encontro de Carlos Magno e apelar para ele salvar a Igreja. O soberano reconduziu o Papa para Roma e castigou os sacrílegos. Na solenidade da noite de Natal no ano 800 (até então rei dos francos) o Papa colocou na cabeça de Carlos Magno a coroa de ouro de imperador e o diadema imperial (coroa que estivera na cabeça dos Habsburgo por quase seis séculos) entre aclamações do povo. Estava sacramentada a restauração do Império do Ocidente, o chamado Sacro Império Romano. Com a separação do Oriente,  a tranquilidade perdurou até o falecimento de Carlos Magno. Ele reinou em estreita união com o Papado reformando os costumes, favorecendo as ciências e as artes, fundou uma escola em cada paroquia, impulsionou o movimento litúrgico, introduzindo o órgão e o canto gregoriano no seu reino. Enérgico, cometeu erros e acertos e não fazia segredo “prefiro a injustiça à desordem”, frase que ficou famosa com Goethe. A admiração popular quis fazer dele um santo, mas a Igreja não o canonizou, mas consentiu o seu culto como bem-aventurado. Morreu piedosamente em janeiro de 814.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho (Membro do Apostolado da Oração)

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