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O jesuíta beato José de Anchieta

Padre Anchieta - BRESCOLA

Padre Voador 

Catequizar visando evangelizar era difícil, notadamente quando se leva em conta que, em todo o Brasil existiam cerca de 5000 portugueses e alguns milhões de índios de diferentes nações e seus idiomas. José de Anchieta chegou ao Brasil em 1553, aportando na Bahia junto com Duarte da Costa. Tinha então 19 anos incompletos e uma enorme vontade de servir ao próximo. Eram duas naus e abriram vela para São Vicente em outubro do mesmo ano, mas sofreram um naufrágio nos Abrolhos quando uma delas se desfez após violenta tempestade e a outra em que navegava Anchieta foi ao encontro dos recifes e passou a noite ao embate das ondas. Removida a nau com extremo esforço, conseguiram consertá-la com os destroços da outra, aportando em Ilhéus. Chegaram finalmente em São Vicente onde eram aguardados.

Como todos aqueles que estudaram na Companhia de Jesus, falava e escrevia espanhol, português, basco e latim. Os seus contemporâneos o consideravam-no culto, pois já tinha demonstrado ser excelente escritor. Ele tinha um defeito na coluna fruto de um acidente na escola, quando uma pesada escada caiu sobre suas costas, deformando a sua coluna em definitivo. Portanto, era corcunda e franzino embora as imagens difundidas do beato não apresentem estes detalhes. Surpreendeu a todos que o considerava incapaz de realizar um bom trabalho em terra de missão devido a sua saúde frágil.

Como todo inaciano, era severo na disciplina e exigente consigo mesmo. Sua formação foi longa, pois permaneceu como noviço durante anos e, não podendo celebrar missas, permaneceu como professor de todos os padres, o que lhe valeu o respeito dos alunos e sacerdotes. Nos primeiros anos na colônia, não tinha sandálias e caminhava descalço.

Sua vitalidade impressionava. Estava em todos os lugares no momento certo e andava ligeiro, o que lhe valeu a alcunha de abarábebe ou padre voador dado pelos índios tupis. Não concordava com a escravização dos índios, pois desejava evangelizá-los e, para tanto, aprendeu a língua e codificou a gramática tupi. Pacificava os índios, revoltados com a escravização que os colonizadores obrigavam, criando uma fonte de revolta com os portugueses. Anchieta e Nóbrega andavam juntos de aldeia em aldeia, ao longo do litoral, apaziguando os índios e, muitas vezes, carregava Nóbrega às costas tortas para aliviar as dores que o companheiro sentia nas pernas cheias de varizes. Eram tempos difíceis porque as tribos viviam em guerra constante e a necessidade de mão de obra para a colonização afetava a missão dos jesuítas. Segurança não existia para nenhum dos lados e os missionários contavam apenas com sua fé para continuar a missão. Finalmente os índios tiveram de se unir para se salvar da escravidão; estabeleceram uma união para o bem comum chamada Confederação dos Tamoios. Era a nação tupinambá que juntas com outras tribos iriam combater os colonizadores portugueses. Em São Vicente e Piratininga a santidade de José de Anchieta brilhava e padre Amaro Gonçalves presenciou várias vezes a luz que provinha de sua cela ao orar aos céus.

Continua…

Ubirajara de Carvalho
Paroquiano e Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão

texto seguinte: A primeira habitação e escola

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