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O Concílio de Trento (1545 – 1563)

O Concilio de Trento subsistiu durante 18 anos e foi o mais importante e longo Concílio da Igreja, votando resoluções dogmáticas e decretos de reforma, implantando a disciplina eclesiástica dos Cardeais. No dizer de Frei Bartolomeu dos Mártires Os eminentíssimos Cardeais precisam de uma eminentíssima reforma.  O Concílio estabeleceu um conjunto de regras utilizadas pela Igreja que perdurou até o Vaticano II. Ele foi idealizado em 1542, mas a guerra entre a França e a Alemanha postergou a convocação que só viria a ser realizada em dezembro de 1545, enquanto grandes inquietações viriam sacudir a Europa. Vejamos:

  • 1545 – É aberto o Concílio em Trento com o comparecimento de 4 arcebispos, 21 bispos e 5 superiores gerais de ordens religiosas, número que subiu para 66 participantes no início do verão daquele ano;
  • 1546Morre Lutero reformador insolente e provocador que tanto ofendeu o papa Adriano VI e, simultaneamente, é iniciada a guerra entre Carlos V e a liga de Smalkalde;
  • 1547 – O Concílio é transferido para Bolonha em razão da peste oriunda do sul da Alemanha e para atender o discreto desejo do Papa Paulo III em afastar influência nociva do imperador Carlos V. Nele, foi debatida a doutrina sobre o sacrifício da missa, o purgatório e as indulgências e deliberado o decreto sobre as fontes da fé, pecado original e a justificação, bem como os sacramentos do batismo e da confirmação. Os trabalhos da reforma da Igreja já preparados teve o Concílio suspenso;
  • 1549Morre o papa Paulo III (responsável pela expansão e consolidação dos jesuítas nos territórios conquistados no Oriente e na América do Sul), Francisco Xavier inicia sua pregação no Japão após o sucesso da catequese nas Índias até então;
  • 1550O Papa Júlio III sucede a Paulo III e decide reabrir o Concílio no início de maio de 1551 na cidade de Trento; nele comparece enviados de vários estados imperiais protestantes. Foram publicados os decretos sobre os sacramentos que haviam sido objeto de estudo em Bolonha, bem como a reforma da gestão dos bispos e da conduta de vida dos clérigos. Motivos políticos levaram a suspensão do Concílio em abril de 1952. Há notícias de que exércitos de protestantes marchavam contra Trento.

Dez anos se passarão antes que recomece o segundo período do Concílio; nesse intervalo morrem os papas Júlio III, Marcelo II e Paulo IV que, antes de falecer, deu prosseguimento ao Concílio.

  • 1552 – Há nova interrupção do Concílio; prossegue a conquista das Américas e os dominicanos fundam as primeiras universidades em Lima, México e depois Bogotá. Neste Concílio são expedidos os decretos sobre os demais sacramentos bem como à rejeição de exigências de abolição do celibato. Foi discutida e rejeitada a doutrina protestante com relação a função do bispo e a obrigação deles estabelecerem em suas dioceses seminários para formação de sacerdotes. Motivos políticos levaram a suspensão do Concílio em abril de 1552;
  • 1556 – Morre Inácio de Loyola;
  • 1559Pio IV sucede a Paulo IV e em Paris católicos e protestantes tentam chegar a um acordo sem sucesso;
  • 1560Carlos V torna-se rei da França e a guerra de religião se inicia.
  • 1562 – Abertura do terceiro período do Concílio que é o mais curto e o mais rico. Os debates se realizam em nível de especialistas em sessões públicas com a participação de muitos teólogos e os projetos submetidos para grupos de bispos reunidos em congregação geral. Os documentos prontos são submetidos aos bispos nas sessões solenes que aceitam ou recusam os textos. Os votos são efetuados por cabeça e não mais por nação como ocorria em Constança.
  • 1563Termina o Concílio em dezembro com grandes reformas que perduraram até o Vaticano II.

Contextualizando:

  • Deus deu à Igreja os homens necessários para executar o Concílio;
  • Papas urgenciaram o cumprimento dos seus cânones, tomando medidas de longo alcance;
  • Pio IV publicou o Índice dos livros proibidos;
  • Pio V editou o Catecismo Romano;
  • Gregório XIII fundou 28 seminários e fez a reforma do calendário;
  • Sixto V organizou a Curia e ordenou a visita ad limina para o governo da Igreja;
  • Alguns notáveis bispos realizaram as prescrições conciliares onde citamos São Francisco de Sales, São Carlos Borromeu (que organizou o catecismo que perdura até a pouco em Milão), São Jerônimo Emiliano e muitos outros.

O Concílio de Trento e suas decisões pode ser restringido em quatro partes, a saber: a revelação, o pecado original, a justificação e os sacramentos.  O Concílio teve três períodos distintos que superaram todas as dificuldades levantadas pelos conflitos na Europa.

Primeiro período (1545-1547). Compareceram 34 padres com direito a voto com sessões em Trento e as duas últimas em Bolonha para fugir da peste que grassava no sul da Alemanha e o desejo discreto do papa em afastar o Concílio da influência de um imperador invasivo

Segundo período (1550-1555). Concílio convocado pelo papa Júlio III e esvaziado sem sucesso pelo rei Henrique II que proibiu os bispos franceses de irem a Trento. Entretanto, o Concílio foi ganhando força e até tiveram delegações da Alemanha (Wurtemberg) que apresentaram sua profissão de fé e foram ouvidas em silêncio. Os trabalhos foram interrompidos por notícias de que exército protestante marchava sobre Trento.  Passaram-se dez longos anos, incluindo a morte de Júlio III, a eleição do curto período de Marcelo II (22 dias) seguida de seu sucessor Paulo IV não muito interessado em dar prosseguimento ao conclave. Um inesperado acontecimento veio malograr e aliviar o movimento, ou seja, a inexplicável abdicação de Carlos V, o homem forte da Europa, ocorrida em 1556. A partir de então, num momento de paz, o Vaticano decidiu recomeçar os trabalhos já na gestão de Pio IV (1559-1565) que, junto com seu sobrinho cardeal Carlos Borromeu, corajosamente, convocou o Concílio agora sem a influência do imperador afastado.

Terceiro período (1562-1563). Concílio terminou em dezembro de 1563 com o comparecimento de 255 padres conciliares.  Difícil imaginar o que os presentes no conclave, poderiam estar pensando,  pois muito dos bispos e teólogos que participaram nas primeiras reuniões já estavam mortos.

Acima de tudo não podemos esquecer a contribuição das ordens religiosas na reforma da Igreja ao longo dos séculos. Citamos os Beneditinos com a Congregação de São Mauro, os Trapistas na manutenção do silêncio permanente, os Dominicanos, os Franciscanos e, principalmente, a Companhia de Jesus com os jesuítas a mais importante arma da contra reforma em todo o mundo.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho (Membro do Apostolado da Oração)

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