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O caranguejo e São Francisco Xavier

O tempo corria entre a prima e sexta hora, quando Francisco Xavier, navegando no Mar das Molucas, mergulhou seu crucifixo (objeto de graças em suas bênçãos e de inúmeros milagres) para acalmar o oceano revolto. A corda se rompeu e a cruz se perdeu no mar. Foi um momento de dor e tristeza para Francisco Xavier. Quando desembarcaram na praia de Céran, Xavier permanecia desolado e estava recolhendo seus pertences junto com a equipe na Ilha das Especiarias. Neste instante, um raro acontecimento, onde natureza e divindade trabalham juntas. Um caranguejo gigante saiu do mar, caminhou nas areias da praia, em direção a Xavier, e depositou nos pés do jesuíta o crucifixo que trazia em sua tenaz.

A seguir correu para a água e desapareceu. É difícil acreditar como um crustáceo pode nadar e caminhar no solo do oceano, enfrentando obstáculos e predadores de toda espécie e, mesmo assim, sobreviver durante um longo percurso; por certo, foi um trajeto mais difícil de percorrer equilibrando-se com uma das garras ocupadas por todo o caminho. Todos ficaram comovidos, especialmente, Fausto Rodrigues que estava mais próximo do jesuíta e passou a agradecer a Deus, constantemente, por ter presenciado tão espantoso fato.

O mais incrível de tudo é que tomamos conhecimento que esta espécie de crustáceo desde sempre só habitou as cercanias da ilha de Okinawa.  São artrópodes de grandes dimensões cujas duas garras esticadas medem de quinhentos centímetros a um metro de comprimento. Ele deu o testemunho de fé e sua declaração consta, inclusive, na bula de canonização do santo. Xavier, enternecido recolheu o crucifixo, beijou e apertou no peito, permanecendo um longo tempo em oração. Preocupado que a divulgação desse acontecimento viesse prejudicar sua missão, proibiu a todos que fizessem comentários.

Esta cruz ele havia recebido de Inácio de Loyola (seu superior), quando se despedia em Roma antes de viajar para Lisboa e depois para o Oriente em missão. A partir de então, este tipo de caranguejo não foi mais encontrado e tornou-se um objeto de procura e valor.  No início do século XVIII um dedicado católico governador de Pondichéry, na Índia, pediu a um capitão que ia fazer vela para as Molucas que tentasse pescar algum exemplar desse crustáceo decápode, ao atingir o trecho entre Amboíno e Baranura. Insistiu muito para que levasse a termo esta busca, considerando o seu grande desejo de ter um exemplar que cultuasse a memória de São Francisco Xavier.  O capitão procurou o caranguejo em toda a área, mas só encontrou um, somente um.  O caranguejo encontrado foi, mais tarde, levado para a França.  Uma prova evidente que Deus comanda a natureza de acordo com sua vontade.

O testemunho dado pelo padre Daurignac aqui segue:

“Neste caranguejo, cujo desenho na concha vimos em Paris, nota-se que no peito do casco existe um pequeno pedestal ao pé da cruz e dois personagens envolvidos em mantos árabes; todas as formas são bem pronunciadas com um homem de um lado e uma mulher do outro. Especula-se que poderia ser a representação da Santíssima Virgem e São José.”

Este sinal dado por Cristo foi determinante para a canonização de São Francisco Xavier 76 anos depois de sua morte ocorrida em 03/12/1552.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho (Membro do Apostolado da Oração).

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