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Leonardo da Vinci e a Última Ceia

Mesmo sendo bastardo Leonardo foi uma criança amada, principalmente, por ser o único filho homem do pai Sir Piero com Catarina sua mãe. Nascido no meio rural em Vinci no Vale do rio Arno, teve mais quatro meia-irmãs. Desde o início passou a morar com o pai Sir Piero e o avô. Embora não o tenha legitimado, nunca escondeu que sentia um grande prazer em saber que sua semente foi frutífera.

A sociedade o proibiu de frequentar a universidade, mas o estigma de ilegalidade não afetou sua vida. Acabou exercendo uma ocupação mais criativa onde se destacou como um homem sábio nas artes e engenharia, com conhecimentos de mecânica e física. Entretanto, os costumes da época não foram ingratos com sua mãe e logo trataram de legalizar o estado civil dela, arranjando um marido forneiro com quem teve cinco filhos.

Seu Pai casou-se novamente com uma garota de 16 anos e foi até um quarto casamento.  Entre os 6 e 11 anos, Leonardo estudou na escola primária e, logo após, na escola secundária de Ábaco, tornando-se um excelente desenhista e ótimo em geometria. Entre os amigos não escondia a realidade e dizia sou um homem sem letras. Embora tenha o pai brigado com ele quando manifestou interesse em trabalhos manuais, ficou feliz ao ver que ele se destacava no ateliê de Verrocchio e, depois no ateliê da família dos Médici, onde se tornou o escultor predileto.

O seu interesse pela geometria, aflorou ao ver na lousa da sepultura do fundador da dinastia Médici um símbolo geométrico do círculo dentro de um quadrado que viria aparecer no futuro o Homem Vitruviano de Leonardo. A pedido projetou e construiu o mausoléu de Cosme Médici falecido em 1464. A sorte estava ao seu lado e, aliado às suas qualidades, foi trabalhar nos jardins de esculturas do palácio de São Marcos em Florença. Foi nessa ocasião contratado para desenhar uma tapeçaria para o rei D. João II de Portugal tendo escolhido o tema Adão e Eva no Jardim do Éden. Recebeu elogios e segundo Vasari[1] não poderia haver nada mais inspirado e perfeito.

No entanto, o desenho da tapeçaria do rei nunca foi enviado para Flandres onde seria tecida em ouro e prata.  Leonardo teve sua carreira frustrada pela fama adquirida de não entregar seus trabalhos no prazo contratado, tanto assim que Ugolino Verino, poeta florentino ficou estarrecido ao constatar que mal conseguia terminar uma pintura em dez anos.

Entretanto, não era a incapacidade, simplesmente, ele exigia de si mesmo uma busca de perfeição que provocava experimentações constante de novos materiais para pintura. Sempre com seu caderno de notas, percorria cidades analisando em detalhes as mãos e faces que viriam compor suas telas. A busca da perfeição era tão crítica que chegou a dissecar cadáveres para poder pintar articulações e músculos com perfeição. Escolheu a mais difícil técnica de pintura, ou seja, o afresco quando a pintura deve ser feita enquanto a argamassa estivesse fresca, técnica difícil de dominar. Assim sendo, não podia espalhar porção maior do que poderia pintar em um dia, trabalhando rápido sobre pequenas porções de argamassa úmida.

Sua paixão pela ciência mecânica explica os intervalos dados à pintura e chegou a afirmar ser a esta ciência a mais nobre e útil de todas as disciplinas esquecendo-se que amava a pintura.

Aos 19 anos verificando a dificuldade da equipe de Verrocchio em levantar uma bola de cobre de duas toneladas até o topo da lanterna que coroava a cúpula da Catedral de Florença, projetou um conjunto de engrenagens estarrecendo os monges com essa façanha.

Apesar das reclamações, Leonardo trabalhou para os mais ilustres príncipes da Itália, Lourenço de Médici e Ludovico Sforza. Sonhava em construir armas e colocar uma cúpula na Catedral de Milão em construção.

Em seu caderno de notas poderia ser encontrado vários desenhos de máquinas, as mais diversas. Apesar de interesses tão diversificado, Deus decidiu imortalizá-lo em pintar uma parede no refeitório da Igreja de Santa Maria delle Grazie, um convento dominicano onde concluiu uma obra prima, a Última Ceia.

Leonardo por certo, deixava os monges fascinados com o mecanismo dos andaimes projetado por ele. Conhecido por causar vários acidentes ao subir e descer dos andaimes, os pintores se extasiavam com o mecanismo desenvolvido por Leonardo. A Última Ceia tinha quase nove metros de altura, sendo necessário agilidade para transferir os desenhos para a parede. As demais cenas do mesmo tema foram conhecidas por Leonardo, notadamente as de Castagno e Chirlandaio mas nenhuma delas se aproximou da perfeição daquela criada por Leonardo, notadamente o estilo de sombreamento. Comenta-se que ele perdeu a capacidade de usar a mão direita em um acidente.

Tendo-se preparado para registrar todas as emoções de um ser humano no convívio com seus pares, percorria recintos públicos desenhando mãos, rostos e gestos que refletissem emoções e pudessem ser transpassados para o mural. Anotava tudo em seu pequeno caderno que carregava no cinto. Resultado, o momento que Jesus revela seu traidor, apresenta o Salvador com o rosto sereno, enquanto nos apóstolos nota-se uma indignação geral e desordem. No trabalho final impressiona a habilidade do artista em retratar as emoções de cada personagem. Criou um esquema de perspectiva que revolucionou a arte no século XV. Aliás, todos os artistas que pintavam cenas religiosas choravam.  Lomazzo[2] cita que Leonardo se desesperava tentando atingir a perfeição na criação da imagem de Cristo.

Nessa obra, Leonardo da Vinci (1452-1519) trabalhou celeradamente, e pressionado por uma força espiritual, iniciou a montagem do andaime em 1452 e concluiu o mural em 1498. Um prazo inédito para ele. Teve muita dificuldade em trabalhar o rosto de Jesus porque derramava copiosas lágrimas enquanto pintava.

O mural recebeu muitas agressões através dos anos sendo a mais grave o ocorrido na segunda guerra mundial quando um ataque aéreo da RAF bombardeou o refeitório do Convento da Santa Maria delle Grazie, milagrosamente poupando a Última Ceia. Infelizmente, após a destruição parcial do convento tiveram de abrir uma porta na parede do mural cortando os pés de Cristo.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho (Membro do Apostolado da Oração).

[1]Ciorgio Vasari, escultor e pintor renascentista muito conceituado.

[2] Giovanni Paolo Lomazzo, crítico da sobra no século XV.

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