Rua: São Francisco Xavier, 75 - Tijuca - Rio de Janeiro, RJ
21 2234-2094 ou 21 2234-2095 / paroquiasfxavier@yahoo.com.br

Há os que se vangloriam do ter sobre o ser

Alguns se vangloriam em exibir o que o mundo oferece em meio a tristeza de muitos. Procuram se exercitar na orla da praia em manhã de sol, praticar esporte aquático na lagoa ou frequentar os bailes funks da comunidade. Outros abraçam a virtude de triunfar de si próprio por ocasião de uma grande tragédia que não se deve nunca deixar escapar ou esquecer, sustentando o estandarte do amor ao próximo como Francisco Xavier.  Ele foi impedido de sempre exercer sua missão pelo médico de bordo da nau capitânia que chegou em Moçambique com a tripulação atacada pelo escorbuto. A frota comandada por Martin Afonso de Souza teve de fazer a invernada neste porto e lá permaneceu 6 meses aguardando o fim das monções. Xavier se hospedou no hospital d’El Rei junto com a tripulação enferma. O escorbuto decompunha o sangue tornando a gengiva purulenta e com odor repugnante. O médico de bordo, preocupado em ter o sacerdote contaminado, procurou convencê-lo afastar-se da enfermaria do hospital.  Xavier não obedeceu.

Onde está o santo padre?

Esta era a frase mais ouvida quando aumentava o sofrimento e sentiam o conforto com a presença do sacerdote junto ao enfermo. Consumia o dia caminhando de uma enfermaria a outra e parecia ser mais eficaz que os poucos remédios existentes. Pernoitava numa enfermaria por turno e se levantava imediatamente após o primeiro grito de dor antes de se dirigir para outra enfermaria. Súbito, uma febre maligna obrigou o sacerdote ser sangrado sete vezes em poucos dias e possuído de delírios constantes insistiu em permanecer na enfermaria com o ar infeccionado:

– Fiz voto de pobreza, quero por isso viver e morrer entre os pobres, mas nem por isso sou menos reconhecido pelo interesse e cuidados que me prodigalizam.

Todas as vezes que Francisco Xavier recusava o que lhe ofereciam, sabia juntar tal firmeza à sua humildade que não se podia esperar vencê-lo. Certo dia no acesso da febre, acompanhou um marinheiro atacado pela peste, ser conduzido à enfermaria onde não existia leito disponível; incontinente cedeu sua cama deixou o médico apavorado.

– Permite que vos observe que ninguém aqui está mais doente do que vós, meu padre!

– Eu vo-lo prometo afastar-me logo que tenha cumprido este dever imperioso do meu ministério que é salvar uma alma nos seus derradeiros momentos.

Xavier ainda não estava completamente restabelecido quando Martin Afonso de Souza resolveu prosseguir a sua viagem e não desejando deixá-lo em Moçambique pediu-lhe que o acompanhasse na nau capitânia. Xavier já possuído de visões proféticas, avisou ao comandante:

–  Senhor, não embarqueis naquele navio! É, sim, o mais belo e forte da frota, mas ele se perderá.

O vice rei tinha total confiança na santidade do sacerdote e não hesitou em embarcar com Xavier na nau Coulão. Pouco tempo depois a nau capitania fez vela e se despedaçou contra um rochedo junto a ilha de Salsete próximo do litoral de Goa naufragando os tripulantes, barco e sua carga.

Grande São Francisco Xavier, o gigante português nascido no reino de Navarra.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho (Membro do Apostolado da Oração)

Print This Post