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É preciso perdoar setenta vezes sete

Em Gênesis 2,1-3, Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo dia de toda obra que havia feito, abençoou e santificou este dia marcado pelo número sete. Na Antiguidade, a idade média dos homens não ultrapassava de verdade, 40 anos.  Era uma sociedade em que os ricos eram tirânicos e o povo escravo. Os que escapavam da escravidão eram servos pobres, mal alimentados e convivendo com a baixa higiene reinante. Viver mais de quarenta anos era uma exceção entre os pobres e soldados. Poucos chegavam aos sessenta anos, geralmente, sacerdotes ou profetas estudiosos do Torá ou da Bíblia.

Portanto, setenta vezes sete representava uma eternidade já que perdoar não   era uma prática comum na época. A sobrevivência era fruto da conquista de outros povos.  Os vencidos perdiam as terras, suas mulheres e filhas; era escravizar ou matar.  Todos eles eram politeístas, bárbaros, cultuando deuses imaginários, esculpidos no barro, na madeira ou na pedra. Eram figuras fantasmagóricas, divinas para eles, misto de homem e animal, inclusive na Grécia e no Império Romano, os mais evoluídos. Os reis eram cultuados como deuses e tinham o poder de vida ou morte sobre seus súditos. O único povo que acreditava no Deus único era os hebreus que tiveram de batalhar muito para conquistar os povos politeístas que habitavam o deserto. Batalharam e venceram os Amalec, Amorreus, Cananeus, Ferezeus, Heveus, Hiteus e Jebuzeus, ou seja, sete reinos.

Séculos após, quando do nascimento de Cristo, Herodes se assustou porque chegou aos seus ouvidos que tinha nascido um novo rei. Viveu preocupado a partir de então. Mais tarde, quando Jesus iniciou a divulgação do Reino de Deus em Jerusalém e cercanias para reformar os costumes e avisar que novos tempos estavam chegando, eles não entenderam. Achavam que iria ser implantado o Reino de Deus no reino de Cesar. Mal dirigidos e informados, decidiram que era o momento de condená-lo. Jesus pagou com a vida a sua ousadia.

Através da ciência dos números compreendida pela Igreja a partir de Fílon de Alexandria, São Justino, Santo Irineu, Santo Ambrósio, Santo Agostinho, São Jerônimo, Santo Hilário, São Cirilo e São João Crisóstomo nós compreendemos a sua importância. Santo Agostinho mencionava que a inteligência dos números impedia a compreensão de muitas passagens figuradas e místicas das Escrituras. Monsenhor Jean de Saint-Denis mencionou que sem eles escapava à nossa percepção grande parte do ensinamento bíblico e litúrgico.

Encontramos no Pentateuco comentários da síntese da tradição hebraica legada pelo nome Elohim que alguns identificam como anjos. No judaísmo, berço do catolicismo, o número sete e todos os seus múltiplos são altamente significativos por representar o fim de um ciclo e o início de outro. Por exemplo, o templo de Salomão foi construído em sete anos, do quarto ao décimo primeiro ano do seu reinado.  No salmo 118,164   o salmista relata: ‘’Sete vezes ao dia publico vossos louvores, por causa da justiça de vossos juízes”. Da mesma forma, encontramos na profecia referente à Parusia (fim dos Tempos Apocalípticos) em Isaias 30,26 “Então a luz da Lua será como a luz do sol e a luz do sol será sete vezes mais forte como a luz de sete dias”.

No Novo testamento também temos várias alusões relativas ao número sete, tais como a multiplicação dos pães relatado nos evangelhos de Mateus 15,32-39 e Marcos 8,1-10, quando Jesus alimentou quatro mil pessoas com sete pães, enchendo as sobras em sete cestos. Os primeiros diáconos da Igreja primitiva escolhidos para auxiliar os apóstolos no apoio aos irmãos católicos da comunidade primitiva eram sete homens ilibados: Estevão (o primeiro mártir cristão), Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolas.  No Apocalipse, João escreveu sobre a ilha de Patmos onde contam-se sete Igrejas, sete candelabros, sete estrelas, sete trombetas, sete cornos, sete taças, sete anjos, sete selos, sete flagelos e um dragão de sete cabeças e um cordeiro de sete olhos.

Há sete dons da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade: Sabedoria, Inteligência, Conselho, Força, Ciência, Piedade e Temor a Deus. Da mesma forma há sete pecados capitais e sete sacramentos que os perdoam, a saber: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Unção dos enfermos, Ordem e Matrimônio.  Outrossim, sete são as virtudes, três teologais que são a Fé, Esperança e Amor e quatro cardeais, ou seja a Temperança, Força, Justiça e Prudência.

Concluindo, não podemos esquecer que na teologia católica o sete está sempre presente, a começar pela Santa Mãe de Cristo chamada, muitas vezes, Nossa Senhora das Sete Dores.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho (Membro do Apostolado da Oração).

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