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De Paris para Veneza a pé

Eram nove caminhantes com destino a Veneza: Francisco Xavier, Pedro Fabro, Diogo Laynes, Afonso Salmeron, Simão Rodrigues, Nicolau Bobadilha, Claudio Lejay, Estevão Brouet e João Codure.

Vestindo longas batinas, cada um levando um cajado nas mãos e breviário no pescoço, exibiam um rosário no peito para demonstrar sua fé católica e sacos nas costas contendo seus poucos pertences, uma muda, manuscritos e alguns livros. Iriam atravessar reinos protestantes e seriam assediados e insultados pelo caminho. Todos estavam sem dinheiro para honrar o voto de pobreza e apelavam para a caridade dos passantes. Como era de se esperar não encontraram muito apoio pelo caminho. Obviamente, sempre recebiam algumas verduras e, às vezes, até legumes de pessoas caridosas para preparar uma sopa, mas as esmolas recebidas não eram suficientes para a alimentação de todos e, muitas vezes, passaram frio e fome, sem reivindicações pois não pediam dinheiro. Era um trajeto muito longo, assustador nos dias de hoje, ao imaginarmos que passariam pela Lorena, indo pela Alemanha, via Suíça, até atingir o nordeste da Itália. Foram quase cinco meses de viagem, tudo a pé, exceto pela travessia dos rios maiores em que  negociavam o embarque nas balsas em troca de algum serviço.

Antes de sair da França, Xavier não conseguiu mais acompanhar os demais; Fabro preocupado indagou:

– Estás doente?

Sim… é verdade…tenho febre…vou descansar… continuem que irei alcançá-los.

Fabro retrucou:

Não te deixaremos. Vamos carregá-lo até a aldeia mais próxima e procurar um médico.

E assim o fizeram, mas antes descobriram o que aconteceu. Xavier havia amarrado da cintura para baixo, imobilizando as pernas com um cordão grosso como forma de combater a vaidade dos aplausos oriundos nas competições de corridas na universidade. Ele ganhava todas as competições qual um Usain Bolt dos tempos modernos. Os cordéis penetraram na região superior das pernas, tão profundamente, ocasionando um inchaço enorme, não distinguindo pele e ligaduras e desenvolvendo uma violenta infecção. A carência médica da época denotava uma imensa preocupação dos companheiros.  Decidiram levá-lo até a aldeia mais próxima. Ao chegar ao destino consultaram um cirurgião. Após examiná-lo, ele disse:

Impraticável, só Deus pode resolver! Tentar retirar as ligaduras é expor o doente à morte, pois já está infeccionado.

Já escurecia e, Xavier preocupado por não querer ser obstáculo para os demais, entrou em oração acompanhado por todos. Eles dormiram acampados na saída da aldeia. Xavier teve um sono tranquilo e, ao despertar, teve a surpresa.

Os cordéis tinham caído em pequenos fragmentos, desaparecendo a inflamação sem deixar nenhum vestígio na pele. Milagrosamente, ele estava curado e bem disposto em condições de prosseguir o longo trajeto até Veneza onde todos encontrariam com Inácio.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho (Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão e Membro do Apostolado da Oração).

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