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A utopia da conquista

Em junho de 1503 Américo Vespúcio[1] zarpou para a América do Sul em companhia de Gonçalo Coelho[2] com quem havia se desentendido antes. Eram seis caravelas que, costumeiramente, escalaram em Cabo Verde[3] para reforçar o abastecimento de água e víveres. Induzido por Coelho, a frota navegou para o sudeste, escapando dos ventos alísios e da calmaria equatorial.  Dois meses depois depararam com um monte alto e imponente no meio do oceano.  Batizaram o local como Ilha de São Lourenço, porém depois ela ficaria conhecida pelo nome de Fernando de Noronha em homenagem ao presidente do consórcio de ricos mercadores portugueses e cristãos novos que arrendaram o Brasil de Portugal, explorando o monopólio do comércio de pau-brasil que financiou a expedição.  Tal descoberta ficou conhecida pela infausta perda do barco de Gonçalo Coelho que se chocou contra os recifes da ilha.  Vespúcio recolheu 22 náufragos e permaneceu na ilha, enquanto Gonçalo embarcou uma semana depois na outra caravela que tinha chegado.   Decorridos oito dias da partida, chega outro barco da expedição e confirmou ter Gonçalo partido para o litoral do Brasil.

Américo Vespúcio levantou âncora para o litoral e zarpando para o sul com outra caravela, aportou em Cabo Frio em maio de 1504, depois de uma permanência de alguns meses na baía de Todos os Santos. Construiu uma feitoria e ficou aguardando Gonçalo Coelho; permaneceu quatro meses, abastecendo os barcos com pau-brasil através da ajuda dos 25 homens náufragos da caravela de Gonçalo.  Enquanto isto Gonçalo Coelho instalado mais ao sul levantou outra feitoria próxima à baía de Guanabara com a finalidade cortar as árvores de tinta ou “pau de tinta” conforme conheciam. Ambos fizeram uma expedição exploratória pelo interior e convencidos ficaram de não ter encontrado nada de valor a não ser uma natureza exuberante. Retornaram para Portugal em 1505, deixando o caminho aberto para piratas da França e Holanda continuarem saqueando o litoral. Apesar de tudo, tiveram lucro, mas o fim foi melancólico.

Porque não tiveram sucesso?  Simplesmente, esqueceram de Deus na sua exploração e, por todos os lugares em que se instalaram foram incapazes de reverenciar o Altíssimo, deixando a conquista sem registrar a presença com a cruz de Cristo. Durante décadas o único cruzeiro foi a cruz levantada pelos portugueses em Cabrália no litoral da Bahia até a conquista definitiva pelos portugueses.

Colaboração: Ubirajara de Carvalho (Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão e Membro do Apostolado da Oração).

[1]Américo Vespúcio (1454-1512) foi um mercador, navegador, geógrafo, cosmógrafo italiano e explorador de oceanos ao serviço do Reino de Portugal e de Espanha que viajou pelo, então, Novo Mundo, escrevendo sobre estas terras a ocidente da Europa.

[2] Gonçalo Coelho (1451-1512) foi um navegador português, que comandou as duas primeiras expedições exploratórias das terras descobertas por Cabral, em 1501-02 e 1503-04, as duas acompanhado de Américo Vespúcio. Estudou em Pisa.

[3] País insular localizado num arquipélago formado por dez ilhas vulcânicas na região central do Oceano Atlântico.

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