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A nobre casa dos Azpilcueta

DSH_2309 RH 44São Francisco Xavier, o santo da Casa dos Azpilcueta de Navarra não foi o único da família a abraçar a igreja de Cristo. Rezava a tradição que, a partir do fim da era medieval e início da idade média, em quase toda as famílias nobres dos reinos da Espanha e demais reinos católicos da Europa, todo o filho caçula era dedicado a Cristo e as filhas não prometidas entregues a Cristo para formação e vida nos conventos. A família Azpilcueta foi abençoada pois em anos futuros, descendentes seus poderiam ser encontrados nos quatro continentes conhecidos, ou seja, Europa, África, América do Sul e Ásia.

Até hoje existe dúvidas acerca do mês e ano em que Tomé de Souza chegou na colônia. Alguns historiadores mencionam março de 1546. Sem contestar admitimos como segue. Assim sendo, quando Tomé de Souza chegou a Salvador em fins de março ou inicio de abril de 1546, encontrava-se a bordo um jesuíta parente de Francisco Xavier. Ele veio acompanhado de cinco outros jesuítas chefiados pelo padre Manoel da Nóbrega, após uma viagem oceânica tranquila de 56 dias, ao contrário da tumultuada navegação de Francisco Xavier que enfrentou duas calmarias e demorou quatro meses para chegar ao sul da Africa e contornar o Cabo da Boa Esperança.

A nau que trazia Tomé de Souza chegou à Bahia onde ele fundou a cidade de Salvador. O barco conduzia entre os viajantes, o jesuíta Juan de Azpilcueta Navarro primo de Francisco Xavier. Ele ingressou na Companhia de Jesus em Portugal, estudou em Coimbra e residiu com seu tio D. Martim de Azpilcueta Navarro até a conclusão dos estudos. Dele recebeu o grau de bacharel em Cânones. Dr. Navarro, como era conhecido na Universidade de Coimbra, foi aquele que insistiu para que seu sobrinho Francisco Xavier o visitasse antes de partir para as Indias. Em dezembro de 1549 o jesuíta Juan já tinha chegado na colônia; permaneceu em Salvador durante três anos ajudando a construir a igreja e o colégio dos jesuítas e catequizando nas aldeias que circundavam a cidade recém formada. Ele se tornou conhecido como o língua do grupo tamanha facilidade em entender e falar outros idiomas e se popularizou pela sua inconformidade, não aceitando os costumes bárbaros e imorais dos colonos trazidos sem suas famílias e os nativos. Foi o primeiro a aprender a língua dos silvícolas, aceitar confissão e orientando-os sem intérprete, tendo sido o primeiro catequista da colônia e aprendendo com rapidez dois dialetos indígenas. Como todos os jesuítas missionários foi incansável na sua missão.

Desconhecendo as matas e florestas, embrenhou-se pelo interior selvagem da Bahia na expedição chefiada por Francisco Bruza Espinhosa ( o primeiro desbravador do sertão da Bahia) e indicado pelo padre Manoel da Nóbrega, Juan permaneceu um ano e meio na tropa dos missionários. Obedecendo ordens do rei de Portugal o grupo explorou as fontes do rio São Francisco, vales do rio Pardo e Jequitinhonha em busca de esmeraldas. Grande parte de seu tempo permaneceu no interior inóspito acompanhado do padre Vicente Pires. Na expedição ele era o responsável pela assistência espiritual e catequese dos nativos. Enfrentando animais selvagens e se alimentando mal quando podia; dizem ter percorrido cerca de 350 léguas ou 2300 quilômetros. Foi atacado pelos índios aimorés e tapuias em duas ocasiões e quase perdeu a vida. Os nativos o apelidaram de Ivituruna o que significa Montanha Negra. Segundo Afrânio Peixoto escreveu muitas cartas relatando sua missão. Em A Cultura Brasileira verificamos que ele foi considerado o primeiro mestre e missionário do gentio. O jesuíta Juan retornou a Salvador em 1556 e lá morreu em fins de abril de 1557.

colaboração: Ubirajara de Carvalho (MESC e Membro do Apostolado da Oração).

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